A brasileira Valentina Sampaio é a primeira modelo trans a estampar a capa da revista Vogue francesa

15. fevereiro 2017 Estilo 0
A brasileira Valentina Sampaio é a primeira modelo trans a estampar a capa da revista Vogue francesa

A revista Vogue francesa deu a capa de sua edição de março – a segunda maior do ano para publicações de moda – para a modelo trans Valentina Sampaio.

Você provavelmente a conhece, já que ela é embaixadora da L’Oréal Paris no Brasil, fez o comercial da marca para o Dia das Mulheres no ano passado, além de ter desfilado na São Paulo Fashion Week e ter sido capa da revista Elle brasileira em 2016.

A edição de março é uma celebração à beleza transgênero, que traz ainda na capa a chamada: “como elas estão sacudindo o mundo”.

“Valentina está na capa da Vogue deste mês não só por sua aparência e sua personalidade marcante, mas porque além de ser ela mesma, ela incorpora uma luta antiga e árdua de ser reconhecida sem ser considerada diferente, um gênero exilado”, escreveu Emmanuelle Alt, editora-chefe da publicação, na carta da editora. “Em um mundo pós-gênero, onde mais e mais designers destacam isso em seus desfiles, as pessoas trans são símbolos de uma rejeição à conformidade, e são ícones que a Vogue celebra e decide apoiar”.

Segundo Emmanuelle, que conversou com a Vogue americana, o momento para fazer esse tipo de declaração não poderia ser mais apropriado, já que os direitos de minorias parecem estar cada vez mais ameaçados.

“Estamos vivendo em um mundo que, no momento, com o que está acontecendo agora, estamos retrocedendo. Em vez de estarmos em uma constante evolução, o que deveria estar acontecendo com os direitos humanos, eles não estão caminhando para uma boa direção. Essa capa é sobre a importância desses direitos e que nós ainda precisamos progredir em várias coisas”.

Uma mulher trans na capa de uma revista não é um pequeno feito. Especialmente no Brasil, que lidera um ranking mundial de mortes de pessoas trans, e cuja estimativa de vida dessa população não ultrapassa os 35 anos, a visibilidade a esses indivíduos não só mostra uma resistência, como também ajuda a combater o preconceito e a estigmatização sobre elas.

No futuro, talvez não precisemos mais indicar a identidade de gênero de uma pessoa. Mas, hoje, é necessário e urgente mostrarmos que pessoas trans existem e que elas merecem respeito e igualdade.


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