Lucas Hedges é mandado para a ‘cura gay’ no trailer de “Boy Erased”

18. julho 2018 Cinema 0
Lucas Hedges é mandado para a ‘cura gay’ no trailer de “Boy Erased”

Não há remédio para a homossexualidade, pois não há uma doença a ser curada. Ainda assim, muitas pessoas, especialmente as mais apegadas à religião, parecem acreditar que exista uma espécie de ‘cura gay’, capaz de apagar algo em um ser humano, e que é tão natural e normal quanto o simples ato de respirar. E para demonstrar o quão cruel e doloroso pode ser forçar alguém a tentar mudar algo que você não consegue aceitar, vem aí o filme “Boy Erased”.

O longa-metragem é dirigido pelo ator e cineasta Joel Edgerton, que adaptou o livro de mesmo nome, escrito por Garrard Conley, o qual escreveu sobre sua própria experiência em um campo religioso para conversão de sua homossexualidade. Nas telonas, Conley ganha o nome de Jared, e é interpretado por Lucas Hedges, um jovem cujo pai, Marshall (Russell Crowe), é ministro em uma igreja batista. Junto de sua mãe, a dedicada e religiosa Nancy (Nicole Kidman), o menino frequenta os cultos e entende desde cedo que ser gay é algo abominável.

“Jared, eu quero você bem. Eu quero que você tenha uma boa vida. Eu te amo”, diz Marshall a Jared no trailer do filme, divulgado ontem (18). “Mas nós não podemos tê-lo nessa casa se você vai fundamentalmente contra as nossas crenças”. Em seguida, o filho responde com sinceridade. “Eu penso em homens. Não sei o motivo e peço desculpas”.

A solução para o pai é uma só: mandar o menino para um local onde a sua orientação sexual será ‘corrigida’. O rapaz, então, é enviado a um campo religioso, onde aprende junto de outros garotos a ter uma postura ‘mais masculina’, que vai desde aprender esportes até apanhar. 

“Você não nasce homossexual. Isso é uma mentira”, diz um religioso que comanda o centro, interpretado pelo próprio Joel Edgerton. “Essa é uma escolha que você faz”.

A prévia é bem emocionante e traz um menino em conflito consigo mesmo, sentindo-se culpado e envergonhado por ser quem é, e fazendo mais do que pode para tentar agradar aos pais.

Além de dirigir a obra, Edgerton também é responsável pelo roteiro da mesma. Ele contou à revista Entertainment Weekly que sentiu-se atraído pela história de Garrard Conley, a qual reúne elementos pelos quais ele tinha muito interesse, mas também porque ela “é cheia de redenção”.

Nos papéis principais estão Lucas Hedges, indicado ao Oscar por “Manchester à Beira-Mar”, e Russell Crowe e Nicole Kidman, ambos vencedores da famosa estatueta dourada. Para fazer os papéis dos pais de Garrard, a dupla de atores chegou a conhecer os pais do escritor, o qual foi criado no Estado do Arkansas.

Segundo Kidman, para compor sua personagem, ela quis mostrar o lado de uma mãe que acha o que é melhor para seu filho.

“A forma como ela e seu marido se sentem ao colocar [Jared] em uma terapia de conversão, eu queria que isso fosse visto da posição de uma mãe pensando o que é melhor a ser feito”, disse a artista à EW. “Nada do que ela fez foi por vingança, o que provavelmente é o motivo pelo qual eles têm uma forte relação hoje em dia”.

A terapia de conversão é um tema de muito debate, que já levou o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a pedir o fim da prática no país, em 2015. Ele foi motivado a se manifestar na época após o suicídio da jovem transgênera Leelah Alcorn, de apenas 17 anos, a qual havia sido submetida pelos pais a um ‘tratamento’ para ‘voltar a ser homem’.

No ano passado, aqui no Brasil, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho concedeu uma liminar que permitiria a psicólogos que oferecessem terapias para conversão da homossexualidade. A orientação sexual não é considerada doença no em território brasileiro desde 1985, depois de uma decisão do Conselho Federal de Medicina, e em 1999, o Conselho Federal de Psicologia proibiu que seja oferecido a pacientes tratamento para orientações sexuais não heteronormativas.

Parece que “Boy Erased” é mais atual do que gostaríamos que fosse. O filme chega aos cinemas americanos no dia 2 de novembro.