Beyoncé não é contra a polícia, mas “contra a violência policial e a injustiça”

05. abril 2016 POP 0
Beyoncé não é contra a polícia, mas “contra a violência policial e a injustiça”

Qualquer fã de Beyoncé sabe que a cantora mantém um forte controle sobre sua imagem e dificilmente concede entrevistas. Dito isso, quando a Elle UK divulgou a capa do mês de maio, fomos todos engolidos pela ansiedade, já que Queen Bey estampa a publicação com a seguinte chamada:

“Entrevista Exclusiva!! Beyoncé fala sobre liberdade, feminismo e como sua nova linha de roupas ajuda as mulheres a amarem seus corpos.”

Foi o suficiente para gerar o hype. E funcionou. Mas além de falar sobre liberdade e feminismo, a artista comentou a repercussão de seu novo vídeo, “Formation”, lançado no começo de fevereiro, o qual celebra suas raízes, além de sua negritude e faz uma crítica à violência policial contra a população negra. Segundo um estudo do jornal The Guardian, jovens negros americanos, entre 15 e 34 anos, têm 9 vezes mais chances de serem mortos pela polícia.

“Acho que a arte mais poderosa é, geralmente, incompreendida”, disse a cantora para a Elle UK. “Mas qualquer um que veja minha mensagem como anti-policial está completamente enganado.”

Seu comentário diz respeito às críticas que vieram após o lançamento do clipe e de sua performance no Super Bowl, que aconteceu no dia seguinte. Isso porque diversas organizações policiais fizeram campanha para boicotar os shows da voz de “Run the World”, pois entenderam que ela incitava o ódio contra os agentes.

“Eu tenho muita admiração e respeito pelos policiais e pelas famílias dos policiais, os quais se sacrificam para nos manter seguros. Vou ser clara: eu sou contra a violência policial e injustiça. Essas são coisas distintas”, contou Beyoncé. “Se ao celebrar minhas raízes e cultura durante o Mês da História Negra deixou qualquer um desconfortável, esses sentimentos estavam aí muito antes de um vídeo e de mim. Tenho orgulho do que criamos e tenho orgulho de ser parte de uma conversa que está levando as coisas para frente de uma forma positiva.”

Ainda na entrevista para a Elle UK, a cantora revelou que “descobriu seu poder” após o primeiro álbum do grupo Destiny’s Child, no qual ela fez parte até o trio se separar. Ela contou que a gravadora as subestimavam e, por isso, tinham liberdade para fazer o que queriam, afinal, “ninguém se importava qual era a nossa visão.”

“Então, nós criamos a nossa própria [visão] e, uma vez que ela fez sucesso, percebi que nós temos o poder de criar qualquer visão que queremos para nós mesmos.”

Sobre feminismo, ela diz que cantar sobre isso em sua música “Flawless” e utilizar o termo em sua última turnê não foi para fazer “propaganda”, mas para que as pessoas soubessem o real significado da palavra.

“É alguém que acredita em direitos iguais para homens e mulheres. Eu não entendo a conotação negativa associada ao termo, ou por que ele deveria excluir o sexo oposto. Precisamos que homens e mulheres entendam os padrões duplos que existem nesse mundo, e precisamos de uma conversa honesta, para que possamos fazer mudanças. Quando falamos sobre direitos iguais, há questões que afetam as mulheres desproporcionalmente.”

Em outro trecho da entrevista, Queen Bey fala sobre a cobrança da sociedade para que as mulheres sejam seres perfeitos. Pelo contrário, ela acredita que é preciso que elas sejam apenas as melhores versões de si mesmas.

É realmente sobre mudar a conversa. Não é sobre perfeição. Trata-se de propósito. Temos que nos preocupar com nossos corpos e o que colocamos neles. As mulheres precisam de um tempo para se concentrar na saúde mental e para si, para o espírito, sem se sentirem culpadas ou egoístas. O mundo vai te ver como você se vê e a tratará da maneira que você trata a si mesma.”

Para conferir o restante da entrevista (em inglês), clique aqui.

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