Bem colorido, Cinderela vale o ingresso do cinema

28. março 2015 Cinema 1
Bem colorido, Cinderela vale o ingresso do cinema

Depois de revisitar os clássicos “Alice no País das Maravilhas” e “A Bela Adormecida”, este último contando a história da bruxa Malévola, a Disney trouxe para os cinemas uma nova versão de “Cinderela”, uma de suas princesas mais icônicas. E o filme não decepciona.

A princípio, temos a história da pequena Ella sendo contada: sua infância feliz ao lado do pai e da mãe, que morre quando a jovem ainda é apenas uma criança. No entanto, antes de sua partida, ela pede à filha que seja “corajosa e que seja bondosa”, palavras que Ella não esquece e moldam a personagem.

Já adulta, o pai traz uma nova mulher e suas filhas para morar com os dois. Pouco tempo depois, a moça perde o pai em uma de suas viagens de negócios, e Ella acaba tornando-se a empregada da casa, e ganha o nome de “Cinderela”, numa das piadas das irmãs, já que um dia ela aparece com o rosto sujo pelas cinzas da lareira.

cinderela filme

O filme, dirigido por Kenneth Branagh e escrito por Chris Weitz, dá uma repaginada no clássico da Disney de 1961, tornando a história um pouco mais verossímil, mas sem perder os elementos mágicos, como a amizade da protagonista com os ratos e a fada madrinha.

Nessa nova versão, Cinderela (Lily James) não é mais uma donzela à espera de seu príncipe, mas não segue o efeito feminista que vimos em “Malévola” ou “Frozen”, por exemplo. Ainda assim, há uma fala onde ela reforça a necessidade das mulheres ajudarem umas às outras. E há ainda a cena onde ela corre pela floresta por seu cavalo sem a sela. Realmente corajosa e determinada.

cinderela filme

Nesse filme, o príncipe ganha um papel muito mais decisivo, e até um nome, Kit (Richard Madden), diferente da animação original da Disney, onde ele mal falava. Ambos protagonistas se saem muito bem na atuação. Lily James está bem “açucarada”, mas fez um belo trabalho como Cinderela. Mas a melhor atuação mesmo é a de Cate Blanchett, como a terrível madrasta. Um ponto positivo é entendermos de onde vem sua maldade. Helena Bonham Carter aparece rapidamente, mas faz uma divertida fada madrinha.

cinderela filme

O filme é todo colorido, principalmente na cena do baile, onde há uma explosão de cores. O figurino é lindo, principalmente da madrasta. O sapatinho de vidro (ou cristal) complementa o look de Cinderela em sua ida ao baile. E é muito confortável, ao que parece.

cinderela filme

O que eu não gostei do filme foram poucas coisas. Todas as mulheres do longa possuem uma cintura minúscula. Não sei se elas foram mexidas digitalmente ou apertadas, mas houve um esforço da produção a repetir o padrão de beleza das princesas das animações, o que levou a própria Lily James, protagonista do filme, a afirmar que sua cintura é naturalmente menor.

E se estamos falando de padrões de beleza, a única mulher gorda e a única idosa a aparecerem em “Cinderela”, ainda que bem rapidamente, ocupam os estereótipos de estarem ali para o divertimento, não para serem levadas a sério. Não faz diferença no andamento do filme, mas senti esse incômodo de que tais mulheres sempre são representadas da mesma maneira.

cinderela filme

Por fim, senti falta da música “Bibbidi-bobbidi-boo”, que virou apenas palavras mágicas na boca da fada madrinha que, aliás, realiza ao lado da nossa protagonista, uma das melhores cenas do filme, com vários efeitos especiais lindos.

“Cinderela” é um filme que vale o ingresso, e toda a magia do clássico original, lançado em 1961, aparece novamente nas telas do cinema de 2015. Uma história renovada, que nos lembra a importância da coragem e da bondade para alcançarmos nossos sonhos.