Assim como Sam Smith, você não precisa ser forte o tempo todo

29. janeiro 2015 POP 0
Assim como Sam Smith, você não precisa ser forte o tempo todo

Vivemos em um mundo que cultua a incapacidade de sentir, de demonstrar vulnerabilidade e permitir-se um olhar mais profundo dentro de si mesmo. Foi na terapia que percebi o quanto eu gostava de passar uma imagem de alguém desprovido de fragilidade, apesar de ser péssimo nisso. Por algum motivo, demonstrar “fraqueza” é altamente inaceitável hoje em dia, quando, na verdade, permitir-se sentir é muito libertador. Como bem escreveu a Mari Messias nesse texto:

“Não somos plástico nem margarina, somos criaturas cheias de complexidade interagindo com outras criaturas igualmente complexas. Todos. Até o Bolsonaro. Além disso, quando tratamos o outro como produto não somos só cruéis com a multiplicidade de existência dele, somos cruéis com nossa própria multiplicidade. Mas mesmo assim, ai meu saco, seguimos acreditando que patético é sentir, não usar esses subterfúgios bestas”.

E isso casa com a mais recente entrevista de Sam Smith à revista Rolling Stone americana. O cantor não nega sua fragilidade, mas a abraça e a explica de uma maneira muito simples:

“A forma como fico normal é continuar dizendo o que estou dizendo. Quando estou triste, estou triste. E quando tenho um dia ruim, tenho um dia ruim. É importante não fingir que está tudo bem, porque, às vezes, não está nada bem, e é isso aí… Sou um ser humano, é como deveria ser. A forma como fico normal é deixando meus sentimentos me guiarem, e não minha mente”.

A autenticidade de Sam Smith reflete-se na forma como o britânico escreve suas músicas, criando comparações com a também cantora e britânica Adele, algo que o próprio disse não gostar:

“Isso me chateia, pois as pessoas não entendem como duas estrelas pop cantam canções muito pessoais e que não parecem como as outras estrelas pop”.

E quando diz isso, penso, primeiramente, porque ambos são pessoas gordas, o que é quase um pecado na sociedade ocidental. Some isso ao fato de Sam Smith ser gay. Duas contravenções em uma única pessoa. Mas ambos são autênticos e permitem explorar suas complexidades sem medo. Talvez seja isso que torne ambos populares: a autenticidade.

“As pessoas querem alguém real para ouvir. E a vulnerabilidade que Sam quer projetar é corajosa, porque é autêntica”.

A fala acima é de Taylor Swift, outra artista com uma legião de fãs, e que também não esconde seus sentimentos, tampouco usa o disfarce de mulher alheia aos seus próprios sentimentos.

Sentir, entrar em contato com esse turbilhão de emoções e que nos tornam efetivamente humanos é difícil, mas ao mesmo tempo é libertador, pois permite um maior entendimento de si mesmo e, por consequência, dos outros.Você não precisa ser forte o tempo todo. Você precisa ser você mesmo.

Todo mundo sofre. E assim como a gente, após o término de um relacionamento, Sam Smith também sofre. É a vida. E disso não dá para fugir.

“Às vezes, você só precisa deitar com uma camisa de futebol, uma taça de vinho e ouvir Joni Mitchell. Foi um dia triste. Lindo show, mas um dia triste”.