“As Vantagens de Ser Invisível”: um retrato sensível e dolorido da adolescência

“As Vantagens de Ser Invisível”: um retrato sensível e dolorido da adolescência

Eu devo confessar que sou suspeito para falar de “As Vantagens de Ser Invisível”. Tanto o livro quanto o filme são os meus preferidos da vida, tamanha identificação que eu tenho com o personagem principal, o Charlie.

Charlie é um menino tímido e sem amigos. Depois de um tempo em um hospital psiquiátrico, o garoto está prestes a entrar no primeiro ano do colegial. Contudo, dessa vez ele quer que as coisas sejam diferentes. Isto é, ele quer fazer amizades. 

A única pessoa com quem Charlie conversa, ou melhor, escreve, é um amigo para quem manda cartas contando sobre seus dias na escola e as coisas que vai descobrindo, conforme vai vivendo a complicada época da vida, chamada adolescência. Diferente de muitas obras de ficção, “As Vantagens de Ser Invisível” não pinta a adolescência como uma etapa da vida que é só de diversão, rebeldia e sexo. Pelo menos, não é só isso. Aliás, não é nem um pouco assim para muita gente (e tudo bem não ser).

Não é para Charlie, que carrega em si muitos traumas depois da morte de sua tia Helen e do suicídio de seu melhor amigo. Essas perdas marcam a vida do menino, que cresce sentindo-se solitário e inadequado, o que interfere totalmente na sua forma de lidar com outras pessoas.

Porém, as coisas começam a mudar quando ele conhece Patrick e Sam, os quais são meio-irmãos, e introduzem nosso protagonista para novos personagens, com pontos de vista tão particulares quanto os seus (como Mary Elizabeth, que é uma punk budista e vegana). Pela primeira vez em muito tempo, Charlie finalmente se sente parte de algo e é levado a experimentar coisas que nunca havia vivenciado antes: o primeiro amor, a primeira namorada, as festas, drogas e o primeiro coração partido. É nesse convívio com os amigos que Charlie percebe que é preciso abandonar a postura de observador – ou de ‘invisível’ – para poder se descobrir e amadurecer.

E o mais legal em “As Vantagens de Ser Invisível” é a construção dos personagens, especialmente o trio principal, que em nenhum momento são uma coisa só: não são apenas bonzinhos ou ruins, mas pessoas complexas, que por ora buscam o amor e ser aceitos, como também machucam e buscam entender quem são e para onde querem ir. Afinal de contas, isso é a adolescência: um furacão de emoções e de busca constante pela sua própria identidade.

Há muitas e muitas lições no livro (“nós aceitamos o amor que achamos que merecemos” é uma das mais especiais), mas a que eu julgo mais importante vem perto do final, quando Charlie precisa enfrentar as dores do passado, para enfim seguir em frente:

“Acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas”.

Stephen Chbosky escreveu uma obra para ser lida e relida várias vezes. É uma narrativa sensível e dolorida sobre um rapaz em busca da vida e de si mesmo. E antes que eu me esqueça: eu te amo, Charlie.


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