Artistas queer fizeram alguns dos álbuns mais interessantes de 2018

25. setembro 2018 POP 0
Artistas queer fizeram alguns dos álbuns mais interessantes de 2018

Quantos artistas LGBTQ você ouviu neste ano? Em 2018, músicos queer fizeram alguns dos álbuns mais interessantes lançados até agora, lançando ótimos trabalhos e colocando suas perspectivas únicas em cada faixa. A indústria musical, seja a americana ou a brasileira, ainda não se abriu totalmente para as experiências e vozes de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans, mas isso aos poucos o cenário vem mudando.

Prova disso é que, no começo do ano, três drag queens brasileiras estavam com músicas novas e fazendo sucesso. E ao longo do ano, uma delas ainda lançou um disco e outros artistas queer internacionais também apresentaram álbuns novos. Confira e ouça agora:

“Expectations” – Hayley Kiyoko:

No final de março, Hayley Kiyoko lançou o disco “Expectations”, seu primeiro álbum de estúdio. A Jesus lésbica, como é conhecida por seus fãs, entregou um delicioso disco pop, repleto de músicas sobre seus romances com outras mulheres – os quais nem sempre acabam bem. Com o material, ela canta sobre seus amores e suas dores, sempre oferecendo a sua perspectiva de mulher lésbica, o que confere genuinidade ao trabalho. Vale a pena ouvir o que Hayley tem a dizer.

Melhores faixas: “What I Need”, “He’ll Never Love You”, “Wanna Be Missed” e “Let it Be”.

“Dirty Computer” – Janelle Monáe:

Foi com o seu novo álbum, “Dirty Computer”, que Janelle Monáe se declarou ao mundo como queer. O disco é um dos melhores do ano e foi muito bem avaliado pela crítica, que elogiou a cantora pelo trabalho desenvolvido. A artista mostra ao mundo suas vulnerabilidades ao falar sobre sua experiência como uma mulher negra e queer, e o faz com um som por vezes sensual e alegre, e em outros melancólico. E aqui vale destacar o quão boa Janelle é como compositora, imergindo em emoções e trazendo-as para a superfície de maneira honesta e poética.

Melhores faixas: “Pynk”, “Take a Byte”, “Django Jane”, “So Afraid” e “Americans”.

“Mercadinho” – Aretuza

No começo do ano, Aretuza reuniu Pabllo Vittar e Gloria Groove para a música “Joga a Bunda”. A música pode não ter repetido o sucesso que Pabllo fez no último ano, mas mostrou que Aretuza tinha mais a oferecer. Com “Mercadinho”, a drag queen faz um pop para todo mundo dançar, ainda que com letras um pouco genéricas. O álbum traz a faixa “Que Não Falte Amor”, que funciona como uma espécie de manifesto contra a homofobia, além de “Movimento”, parceria com Iza, e que sintetiza deu desejo com o disco: que ninguém fique parado.

Melhores faixas: “Movimento”, “Que Não Falte Amor”, “Batcu” e “Bambolê”.

“Palo Santo” – Years & Years:

Três anos depois de “Communion”, os britânicos do Years & Years lançaram “Palo Santo”, um álbum com letras de amor, sexo e até sobre o medo de se envolver com alguém. O disco é divertido, gostoso, dançante e faz jus ao seu título: palo santo é o nome de um incenso utilizado para espantar as energias negativas. Se você quer espantar a bad e criar esperança de que a vida pode ser melhor, o Years & Years tem 14 músicas para você.

Melhores faixas: “All for You”, “Rendezvous”, “If You’re Over Me”, “Here” e “Don’t Panic”.

“Bloom” – Troye Sivan:

Com “Bloom”, Troye Sivan decidiu se soltar e mostrar uma faceta mais liberta e dono de si. Nesse álbum, o músico deixa um pouco de lado o som indie para tentar o mainstream – mas isso sem perder a sua identidade. No disco, o cantor fala sobre seus relacionamentos com outros homens e tudo o que isso implica – inclusive sexo. “Bloom” é irresistível e certamente um dos melhores do ano.

Melhores faixas: “Seventeen”, “The Good Side”, “Postcard”, “Plum” e “Lucky Strike”.

“Language” – MNEK:

MNEK é um músico britânico que já trabalhou com Zara Larsson, Hailee Steinfeld, Dua Lipa e Demi Lovato, e lançou no começo de setembro seu primeiro álbum, chamado “Language”. O cantor e compositor é abertamente gay, e depois de anos trabalhando nos bastidores, assume os holofotes com autoconfiança (“eu canto como a Aretha [Franklin], então, mostre seu respeito”) e poder. MNEK também sabe provocar, como na faixa “Girlfriend”, na qual ele canta sobre um garoto que tem medo de terminar o namoro com uma menina para ficar com ele. “Language” mistura pop e R&B em uma sonoridade que em muito faz lembrar a música pop do começo dos anos 2000. Stay fabulous, honey!

Melhores faixas: “Correct”, “Girlfriend”, “Body” e “Free”.