Artista que se identifica como não-binário poderá escolher em qual categoria quer concorrer no Emmy Awards

Artista que se identifica como não-binário poderá escolher em qual categoria quer concorrer no Emmy Awards

Nota do editor: em inglês, Asia Kate Dillon prefere o uso do pronome neutro they, que em português seriam eles/elas. Para manter a neutralidade na nossa língua, serão utilizadas palavras sem gênero ou termos terminando com “e” (exemplo: “perguntade”, em vez de “perguntada” ou “perguntado”).

Neste ano, a MTV decidiu eliminar a separação por gênero nas categorias de atuação em seu prêmio anual, que agora também irá reconhecer produções de televisão. É uma decisão que poderá resolver um impasse para artistas que não se identificam com nenhum gênero, além de colocar em posição de igualdade atores e atrizes.

O Emmy Awards, que premia seriados de televisão, não fez o mesmo, mas permitiu que Asia Kate Dillon, que se identifica como gênero não-binário, possa escolher se quer concorrer como Melhor Ator ou Atriz Coadjuvante no evento deste ano. A pessoa atua na série “Billions”, do canal Showtime, dando vida a Taylor Mason, uma pessoa que trabalha com finanças e que também não se identifica com nenhum gênero.

Dillon tem recebido boas críticas por seu trabalho na atração, mas quando foi perguntade sobre qual categoria gostaria de poder concorrer no Emmy Awards, a pessoa se viu com um problema, já que nenhuma delas parecia servir. Asia, que já atuou em “Orange Is The New Black”, escreveu uma carta para a premiação, questionando qual o motivo para existir categorias específicas para gênero.

“Eu gostaria de saber se, em seus olhos, ‘ator’ e ‘atriz’ denotam anatomia ou identidade, e por que é necessário denotá-las, para início de conversa? Eu espero engajá-los nessa conversa, porque se há categorias para ‘ator’ e ‘atriz’, elas são, na verdade, feitas para representar a ‘melhor performance por uma pessoa que se identifica como mulher’ e ‘melhor performance por uma pessoa que se identifica como homem’. Dessa maneira, não há espaço para a minha identidade nesse sistema binário da premiação. Além disso, se as categorias ‘ator’ e ‘atriz’ foram feitas para denotar o sexo atribuído no nascimento, com todo respeito, eu pergunto: por que isso é necessário?”, diz um trecho da carta adquirida pela revista Variety.

A publicação conversou com a pessoa, e ouviu que o Emmy permitiu que Dillon escolhesse em qual categoria gostaria de ter seu trabalho considerado para o prêmio.

“A Academia apoia a escolha de qualquer pessoa em fazer o mesmo e não fará nenhum tipo de vistoria”, afirmou Dillon. “Eu os achei muito acolhedores. Eu não poderia estar mais feliz”.

Segundo a Variety, o Emmy teve “um diálogo positivo com Asia, baseado na carta enviada muito bem elaborada escrita por Dillon”.

“A Academia de Televisão celebra a inclusão e, assim como discutimos com Asia, não há requerimento de gênero para as várias categorias de atuação. Asia está livre para escolher em qual categoria quer entrar”, disse um porta-voz da premiação.

E Dillon optou por concorrer como Melhor Ator Coadjuvante, explicando que “ator é a palavra sem gênero que eu uso”.

Em fevereiro, Asia contou ao site Vulture que seu personagem ajudou a se entender, e espera que Taylor possa inspirar mais conversas sobre pessoas que se identificam como gênero não-binário.

“Quando eu vi as especificações do meu personagem, elas diziam: mulher, não-binário. E eu pensei: ‘interessante, eu conheço essas palavras, mas deixe-me fazer uma pesquisa sobre cada aspecto de Taylor Mason, seu mundo e quem é’. Assim, mulher enquanto sexo e não-binário enquanto identidade de gênero, são termos guarda-chuva para pessoas que não se identificam como homem ou mulher. Eu pensei: ‘meu Deus, há uma linguagem para expressar algo sobre mim que eu sempre soube, mas nunca coloquei em palavras. Quero dizer, isso me ajudou. É interessante: por mais visibilidade que Taylor esteja dando à comunidade não-binária, agora que ‘Billions’ está no ar, Taylor me deu visibilidade e esperança primeiro.

Eu acredito que, assim como Nina Simone disse, o dever de um artista é refletir a sociedade. Eu quero que todo o trabalho que eu crie possa apoiar e elevar as pessoas historicamente marginalizadas. Minha equipe sabe disso, e eles sabem que esses são os tipos de papéis e projetos que eu quero me envolver”.


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