Ariana Grande, “Sweetener” e a doce leveza do ser

22. outubro 2018 POP 0
Ariana Grande, “Sweetener” e a doce leveza do ser

Os últimos dois anos na vida de Ariana Grande não foram fáceis: no ano passado, o show que realizava em Manchester, na Inglaterra, foi palco de um atentado terrorista, que terminou com a morte de 22 pessoas; e em maio deste ano, ela terminou o namoro com o rapper Mac Miller. Foram duas situações difíceis, que poderiam resultar em um afastamento de Ari dos holofotes. De fato, ela teve um momento longe da mídia, mas retornou em agosto deste ano com um novo disco, chamado “Sweetener”, e que vai na contramão do que poderíamos esperar da cantora.

Após dois eventos entristecedores (um deles sendo traumático), era fácil acreditar que seu mais recente trabalho, que vem para substituir o bem-sucedido “Dangerous Woman”, poderia ser mais triste. Porém, logo no primeiro single, “no tears left to cry”, lançado em abril, a cantora deixou claro que está “em um estado de espírito” alegre e que quer mantê-lo “para sempre”. E essa mensagem é transmitida em todo o álbum, que apresenta uma Ariana Grande que estava, até então, muito bem com a fase que vivia.

“É sobre levar a luz para uma situação ou para a vida de uma pessoa, ou alguém trazer luz para a sua vida ou adocicar uma situação”. Foi assim que Ariana Grande descreveu seu novo material em entrevista ao apresentador Jimmy Fallon. E eu diria seu mais recente trabalho vai um pouco mais além, não só levando uma mensagem positiva, mas trazendo também uma perspectiva mais pessoal sobre sua vida, já que a artista compôs boa parte das canções.

Em “breathin”, por exemplo, ela canta sobre sua luta contra a ansiedade; em “successful”, ela brinca com o fato de ser uma jovem mulher de sucesso; e em “everytime”, ela fala sobre um relacionamento tóxico (que pode, ou não, ter sido inspirada em seu namoro com Mac Miller, o qual ela descreveu uma vez como ‘tóxico’). Essas músicas trazem um olhar mais íntimo na vida de Ari, que viu uma oportunidade de explorar novos sons e se permitir ser vulnerável como nunca foi antes.

Tal abertura é terapêutica para muitos; inclusive para a cantora, que pela primeira vez lançou um álbum com uma capa colorida, algo que marcava para ela “um novo capítulo” em sua vida.

“Sweetener” foi produzido, em boa parte, por Pharrell Williams, com quem Ariana dividiu os vocais em “blazed”, uma música que poderia ter saído facilmente de um dos álbuns antigos do músico. Com o produtor, ela explorou uma sonoridade mais R&B, algo que combina muito bem com sua voz poderosa voz, ainda que nem todos os fãs tenham curtido a participação do músico no novo material.

Mas como dito anteriormente, nesse novo material, Ari tem uma mensagem otimista para seus fãs e quem mais ouvir seu mais recente trabalho. Parece que ela reencontrou a felicidade e descobriu que a melhor forma de espantar os males é lançar um olhar mais positivo e esperançoso sobre a vida, mesmo depois de ter experienciado dores e traumas. É como se a artista quisesse que seu ouvinte saiba que o melhor está por vir, como na positiva “the light is coming”, parceria com Nicki Minaj, sua frequente colaboradora, onde promete que “a luz devolverá o que a escuridão roubou”. 

Parte da doçura de “Sweetener” vem do relacionamento da pop star com o comediante Pete Davidson, que acabou ganhando uma curta faixa com seu nome. É fato que os dois não estão mais juntos, mas é bonito que ela tenha dedicado uma parte de seu álbum a alguém que a preencheu e a fez muito feliz por um bom tempo. O amor está presente em outros momentos: na divertida “borderline”, em “R.E.M.” e em “sweetener”, canção que dá nome ao quarto álbum de Ariana. “God Is a Woman”, uma das melhores músicas do disco, e “successful” celebram a sexualidade e sucesso femininos, temas que ainda são tabus para muita gente, mas não para essa artista orgulhosamente feminista.

“Sweetener”, no geral, traz uma Ariana Grande mais experimental, desbravando novos caminhos com leveza, romantismo e bom-humor. Atualmente, esse pode não ser o melhor momento na vida pessoal da estrela (além de ter se separado de Pete, seu ex-namorado, Mac Miller, morreu em setembro), mas o disco funciona como um bom reflexo do estado de espírito em que estava na época do lançamento, além de fornecer uma ‘pílula’ de esperança e otimismo a quem estiver passando por situações ruins.

Em uma época tão dura e difícil, permitir-se ser feliz e estampar um sorriso pode ser a melhor arma de resistência. Basta lembrar-se de “continuar respirando”.