Ariana Grande não é a culpada pela morte de Mac Miller

09. setembro 2018 Famosos 0
Ariana Grande não é a culpada pela morte de Mac Miller

Na última sexta-feira (7), o rapper Mac Miller morreu por uma possível overdose, segundo noticiou o TMZ. Uma chamada para emergência foi feita para atender um homem com uma parada cardíaca em sua casa, mas o artista de 26 anos já foi encontrado sem vida pelas autoridades locais. Mac havia lançado seu quinto álbum, “Swimming”, no começo de agosto, e estava prestes a começar uma nova turnê de divulgação do material. Com sua morte repentina, a excursão foi cancelada.

O músico nunca escondeu do público ou da mídia seu problema com drogas. Em 2013, ele deu uma entrevista para o site Noisey, revelando o uso de substâncias desde a adolescência. “As drogas são perigosas, cara. Mas elas são fantásticas. São perigosas. Elas não são novidade, especialmente para mim, pois eu venho consumindo-as desde meus 15 anos”. Em 2015, ele contou à revista Billboard que não estava “completamente sóbrio”, mas que estava “melhor do que antes”, em referência ao período de gravação do álbum “Faces”, de 2014. “Eu tinha medo do que minha vida havia se tornado”, ele admitiu.

Ou seja, o vício de Mac Miller já existia bem antes do rapper começar a namorar Ariana Grande em 2016. Porém, com a morte do artista, muitas pessoas começaram a postar nas redes sociais da cantora que ela seria a culpada pela overdose dele, já que os dois terminaram o relacionamento em maio deste ano, e Ari começou a namorar Pete Davidson semanas depois. A quantidade de comentários foi tão grande, que a voz de “God Is a Woman” desabilitou os comentários em seu Instagram. 

Pessoalmente falando, eu não vi ninguém nas minhas redes sociais culpando Ariana pelo que aconteceu, mas várias imagens circulam pela internet com xingamentos e acusações contra ela. Por isso, é preciso dizer: não é culpa dela a morte de Mac Miller. E culpá-la é culpar e oferecer uma pressão ainda maior a mulheres que estejam em relacionamentos com pessoas com vício em drogas. Não é algo fácil de lidar e, não raro, a relação pode se tornar “tóxica”, como a própria Ari descreveu a sua em maio deste ano, após alguém julgá-la por estar em um novo relacionamento, enquanto seu ex-namorado estava com problemas de drogas e tinha acabado de ser preso por dirigir alcoolizado e fugir do local.

“Que absurdo você minimizar o autocuidado e autovalorização feminina ao dizer que alguém deve ficar em um relacionamento tóxico porque ele escreveu um álbum sobre você, o que não é o caso, a propósito”, escreveu a cantora. “Eu não sou babá ou mãe e nenhuma mulher deveria sentir que precisa ser. Eu cuidei dele e tentei apoiá-lo para ficar sóbrio e rezei para seu equilíbrio por anos (e vou sempre fazer isso, obviamente), mas fazer uma mulher ter vergonha/culpá-la pela incapacidade de um homem em se cuidar é um problema sério. Vamos parar com isso, por favor. Claro que eu nunca compartilhei o quão difícil e assustador foi enquanto tudo acontecia, mas foi”.

Ariana Grande não matou Mac Miller. A dependência em drogas, sim. Aliás, seria mais produtivo criarmos conversas sobre vício e como ajudar pessoas com esse problema em vez de apontarmos o dedo para alguém que não tem nada a ver com o que aconteceu. Ari cuidou e esteve ao lado do ex-namorado até o ponto de não conseguir mais, para que ela pudesse se preservar. E sua decisão precisa e deve ser respeitada, afinal, exigir que uma mulher deixe de lado a si mesma para ficar em um relacionamento abusivo é misógino e inadmissível. Enquanto sociedade, ainda achamos que é dever da mulher suportar e perdoar tudo que seu parceiro faz, mas isso não deve ser encorajado, pois incentiva a permanência da mulher em um ciclo de violência, (auto)desvalorização e uma relação de codependência.

No ano passado, um atentado matou 22 pessoas em um show de Ariana Grande em Manchester, na Inglaterra. Agora, a cantora precisa lidar com a morte de uma pessoa com quem namorou por quase dois anos e conheceu intimamente – mais até do que qualquer pessoa que está a acusando de ser responsável pela morte de Mac. Esse não é um peso que ela precisa carregar. 

É natural que após a morte de alguém admirado como o rapper, as pessoas busquem respostas e como isso poderia ser evitado. Porém, em nada ajuda dizer que alguém é responsável por isso. Infelizmente, Miller sofria com a dependência em drogas, um problema muito sério e que pode estar afetando alguém próximo a você. Ouça a música de Mac e honre sua memória ajudando alguém passando por algo igual ao que ele viveu. Essa é a melhor forma de impedir que mais situações como essa se repitam.