Anne Hathaway diz que a misoginia internalizada a impediu de valorizar a diretora de “Um Dia”

21. Abril 2017 Cinema 0
Anne Hathaway diz que a misoginia internalizada a impediu de valorizar a diretora de “Um Dia”

Que há poucas mulheres trabalhando como diretoras em Hollywood, isso não é segredo para ninguém. Porém, além da falta de oportunidades, as cineastas ainda precisam enfrentar a falta de confiança da equipe envolvida no projeto que estão trabalhando.

Esse foi o caso de Lone Scherfig, que dirigiu o filme “Um Dia”, adaptação do livro de mesmo nome do escritor britânico David Nicholls. Nos papéis principais estavam Jim Sturgess e Anne Hathaway. Em uma recente entrevista para Popcorn With Peter Travers, a atriz contou que a misoginia internalizada pode ter atrapalhado-a durante as filmagens do longa, justamente porque a diretora era uma mulher.

“É muito difícil de admitir. E eu espero que as pessoas entendam que é difícil de admitir”, disse Anne. “Tenho muito medo de ter tratado [Lone Scherfig] com misoginia internalizada. Eu tenho medo de não ter dado a ela tudo o que ela precisava ou o que eu deveria, porque eu estava resistente a ela de alguma maneira”.

Hathaway disse ainda que esse mesmo motivo interferiu na forma como via trabalhos escritos ou dirigidos por mulheres.

“É algo que eu pensei muito quando recebia roteiros que seriam dirigidos por uma mulher”, confessou. “Quando eu recebia um roteiro, quando via  que um filme seria dirigido por uma mulher, eu procurava o que havia de errado com ele. E quando eu via que um filme era dirigido por um homem, eu focava no que havia de certo nele. Eu consigo reconhecer que fazia isso e que não quero mais continuar fazendo isso. Antes de perceber isso, tinha tentado muito trabalhar com diretoras. E eu ainda tinha esse tipo de pensamento enraizado em alguma lugar”.

É muito positivo que Anne Hathaway admita que teve problemas ao aceitar trabalhar com uma mulher em uma função importante. E isso não é algo restrito à indústria cinematográfica ou à atriz: a sociedade, em geral, possui uma grande dificuldade em aceitar mulheres em posições de poder.

No caso de Hollywood, segundo um recente estudo, somente 7% dos 250 maiores filmes de 2016 foram dirigidos por mulheres. Essa é uma triste realidade – e que precisa ser mudada logo.


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