Anna Kendrick detesta que grandes atrizes tenham que lutar por poucos bons papéis no cinema

21. fevereiro 2015 Cinema 0
Anna Kendrick detesta que grandes atrizes tenham que lutar por poucos bons papéis no cinema

Talvez não seja novidade para ninguém, mas Anna Kendrick é uma das melhores atrizes de sua geração. Aos 29 anos, a americana vem colecionando boas atuações e uma indicação ao Oscar, em 2009, por seu papel no filme “Amor Sem Escalas”. Super cotada para filmes, Kendrick está nas telas do cinema em “Caminhos da Floresta” e, em breve, nos filmes, “The Last Five Years” e “A Escolha Perfeita 2”.

Mas, mesmo sendo super cotada para vários filmes, assim como diversas atrizes – e qualquer fã de cinema – , Kendrick sente que há uma falta de bons papéis para mulheres no cinema. “Mulheres têm que salvar gatos muitas vezes nos filmes. Estou interessada em mulheres que são, na verdade, um pouco detestáveis“, contou ela ao Buzzfeed.

anna kendrick papeis em hollywood para mulheres

A falta de bons papéis para mulheres é algo que vem ganhando atenção atualmente, uma vez que as próprias atrizes vêm expondo sua insatisfação com as personagens que lhes são oferecidas. Reese Whiterspoon, cansou-se disso em Hollywood e abriu sua própria produtora de filmes, a “Pacific Standard”.

“Percebi que há uma falta de protagonistas femininas interessantes nos filmes. Primeiro eu fiquei brava, muito brava. Depois foi tipo ‘Não é culpa de ninguém, se você não for proativa’. Eu tive uma empresa antes, mas, basicamente, era para produzir filmes que eu pudesse participar. Então eu mudei de ideia: se eu posso desenvolver algo para qualquer outra mulher, não importa quem seja, minha filha crescerá vendo mulheres complexas, interessantes e cheias de nuances”, contou a atriz ao The Hollywood Reporter.

Reese Whiterspoon já colhe bons frutos com sua produtora. A atriz está indicada ao Oscar, por sua atuação no filme “Livre“; além de ver o longa “Garota Exemplar” tornar-se uma das maiores bilheterias de 2014, faturando US$ 365,4 milhões (R$ 956,3 milhões) pelo mundo.

A grande atriz Juliane Moore também comentou a falta de bons papéis para mulheres em seu discurso no Globo de Ouro deste ano, quando venceu o prêmio por sua atuação no filme “Para Sempre Alice“. “Quando a Lisa Genova escreveu esse livro, ela me disse que ninguém [em Hollywood] gostaria de transformá-lo em um filme, porque ninguém gostaria de ver um filme sobre uma mulher de meia-idade”.

Mas muita gente quer. E Cate Blanchett, que levou o Oscar de Melhor Atriz no ano passado, por sua atuação em “Blue Jasmine“, aproveitou o espaço para lembrar a indústria cinematográfica disso. “[…] Para aqueles da indústria do cinema que ainda se apegam tolamente à ideia de que os filmes femininos com uma mulher no papel central são apenas experiências de nicho, eles não são. O público todo quer vê-los, e de fato, eles ganham dinheiro”.

E eles querem ver esses filmes, sim. Principalmente elas. Numa leitura sobre a representatividade de gênero dos filmes indicados à categoria Melhor Filme do Ano, no Oscar deste ano, Camila de Lira descreve bem a situação no texto “Oscar, Substantivo Masculino“: entre os 8 indicados, nenhum filme é centrado em uma mulher. E, como sempre falo aqui, representatividade importa. E muito. “É algo que me incomoda – e muito. Como mulher, me incomoda não conseguir me ver nas telas, me reconhecer em nenhum dos personagens, me ver em nenhuma das situações”.

Voltando a Anna Kendrick, a atriz finaliza sua insatisfação sobre o problema da falta de papéis dizendo ao Buzzfeed:

“Veja a Meryl [Streep, que também estrela o filme “Caminhos da Floresta]. As pessoas perguntam a ela por qual motivo ela aceitou esse papel [a bruxa do filme citado anteriormente], e ela sempre brinca dizendo que há uma inundação de papéis para mulheres com mais de 60 anos. Você pode rir disso, porque parece que ela está brincando, mas se isso é verdade para todo mundo, então é verdade para ela também.

Há uma escassez de bons papéis para mulheres e há uma enxurrada de mulheres inacreditavelmente fantásticas e talentosas. Eu celebro essas mulheres e, ainda assim, detesto, profissionalmente falando, que elas sejam maravilhosas e tenhamos todas que brigar pelos mesmos bons papéis”.

Enquanto Kendrick vai brilhando ao lado de tantas outras, é triste ver tantas mulheres fantásticas disputando boas personagens. Ao menos é reconfortante ver que o sexismo em Hollywood está, cada vez mais, sendo denunciado.

A revolução será feminista. E estará nas grandes telas.