Anitta não merece tanto ódio

22. agosto 2016 POP 0
Anitta não merece tanto ódio

Assim como muita gente, eu também assisti à Cerimônia de Abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro. Foi um espetáculo lindo, colorido, vibrante, e que destacou nossa cultura, a diversidade do nosso povo, além de ter sido um passeio pela nossa história.

A música, claro, foi um elemento importante durante todos os momentos, trazendo ícones de diferentes gerações para o centro de um palco assistido pelo mundo inteiro. Entre eles estavam Caetano Veloso, Gilberto Gil e Anitta, cuja performance de “Isto aqui, o que é?”, de Ary Barroso, arrancou elogios (e algumas críticas sobre o tal do playback) do público presente no Maracanã, onde o evento foi sediado, e do público que acompanhou tudo de casa e na internet.

Depois da apresentação, Anitta foi conversar com os jornalistas William Waack e Cristiane Dias, do Jornal da Globo, numa entrevista que foi muito criticada nas redes sociais, por conta das questões feitas pelo apresentador, o qual pareceu tentar desmerecer a pessoa e o trabalho da cantora. Felizmente, ela respondeu às questões com maestria, defendendo a carreira que vem construindo ao longo dos anos.

Para quem assistiu à entrevista, foi como se Waack personificasse as críticas que Anitta recebeu logo após ser anunciada como uma das atrações da Cerimônia de Abertura. Foram vários e vários protestos nas redes sociais sobre a participação dela, que é hoje o maior nome da música pop nacional. Você pode detestar a cantora, é seu direito, mas isso não muda a realidade: ela é uma das maiores cantoras brasileiras da atualidade, e tem um forte apelo entre os jovens. Deixá-la de fora da Olimpíada não faria qualquer sentido.

Mas Anitta está acostumada a lidar com os “haters”. Até mesmo o ator José de Abreu tentou desqualificá-la ao classificar o “fim da música” ela ter saído vitoriosa do Prêmio Multishow em 2015. “Ou o início de uma nova fase, já que estamos falando de jovens”, ela rebateu.

Também no ano passado, em meio ao lançamento do disco “Bang”, ela gravou um vídeo para o canal Multishow lendo e respondendo alguns comentários ofensivos que recebeu no Twitter. “Adorei, gente”, ironizou. “Umas coisas maravilhosas que a gente vê na internet. O povo ajuda a gente a crescer. Virei outra pessoa agora”.

E para ser sincero, boto fé que boa parte do ódio que Anitta recebe vem pelo fato de ela ser uma mulher e uma mulher de sucesso. Não é incomum vermos o trabalho e as conquistas de mulheres serem diminuídos e até deslegitimados.

Na Olimpíada do Rio tivemos vários exemplos disso a partir da cobertura da mídia. A nadadora americana Katie Ledecky viu sua medalha de OURO ocupando um lugar menor em uma matéria de um jornal dos Estados Unidos, que preferiu dar a manchete para Michael Phelps e sua medalha de PRATA. Teve também outra nadadora, a húngara Katinka Hosszú, a qual quebrou um recorde mundial, mas que teve sua conquista sendo creditada ao seu marido, o qual também é seu técnico.

Já Anitta gerencia sua própria carreira, através de sua própria agência, a Rodamoinho Produções Artísticas, aberta em 2014. Sozinha, ela administra mais de 200 pessoas em sua empresa e faz todas as reuniões com as marcas que lhe procuram para parcerias. Por mês, realiza em torno de 15 shows, além de comandar o programa Música Boa, do canal pago Multishow, demonstrando versatilidade ao cantar diversos estilos musicais. Além de prêmios nacionais, a cantora coleciona ainda 3 prêmios EMA, da MTV européia, e uma indicação ao Grammy Latino.

Esse currículo invejável deveria servir, ao menos, para respeitar sua trajetória, pena que ainda não saibamos reconhecer o valor daquilo que é nosso, e continuamos criticando o que é brasileiro; o que muda de figura quando temos a “validação” estrangeira. E diga-se de passagem, a imprensa internacional rasgou elogios à Anitta e sua performance na Abertura dos Jogos Olímpicos do Rio.

Dito tudo isso, é claro que você pode não gostar da Anitta, criticá-la e apontar falhas. Contudo, é preciso saber fazê-lo de forma honesta, e não esbravejar por aí que ela não é uma “artista de verdade” ou que sua música é uma porcaria porque é “popular”. Isso não é argumentar.

No mais, se você não gosta da cantora, “é só não assistir”, como ela mesma disse em uma entrevista ao GShow. Porém, é possível que você esteja perdendo um divertido show enquanto isso.

Anitta em Curitiba:

DATA: 27/agosto/2016 (sábado) – a partir da meia-noite (abertura dos portões 21h)
LOCAL: LIVE Curitiba (Rua Itajubá, 143, Novo Mundo, Curitiba/PR); telefone: (41) 3057-4772
INGRESSOS: à venda pelo site Disk Ingressos (http://www.diskingressos.com.br/evento/4558) ou (41) 3315-0808
VALORES: Lote Promocional: a partir de R$45,00. Pista (térreo, atrás da Pista Premium): a partir de R$90,00 (meia-entrada R$45,00); Lounge VIP Superior (1° andar central): a partir de R$140,00 (meia-entrada R$70,00); Pista Premium (térreo em frente ao palco): a partir de R$200,00 (meia-entrada R$100,00); Camarote Jhonny Walker (1° andar lateral): a partir de R$1950,00. Descontos para: estudante, doador de sangue, professor, deficiente físico, portador de câncer, idoso, cartão fidelidade Disk Ingressos, Clube da Alice, Colaborador Grupo Massa, Bônus Flyer e Advogados OAB/PR.
INFORMAÇÕES: (41) 3315-0808
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 14 a 16 anos incompletos – somente acompanhados dos pais; 16 anos – portando autorização por escrito dos pais com firma reconhecida por verdadeira.