“American Vandal” utiliza histórias absurdas para fazer críticas importantes

25. outubro 2018 Televisão 0
“American Vandal” utiliza histórias absurdas para fazer críticas importantes

“American Vandal”, série da Netflix que estreou em 2017, e que já conta com duas temporadas disponíveis, veio na onda do sucesso de “Making a Murderer” (documentário em forma de série da Netflix), utilizando o formato mockumentary (falso documentário) para fazer piada ao mesmo tempo em que faz boas críticas à sociedade atual.

Talvez, “American Vandal” seja a série que mais leva o mockumentary ‘a sério’: a abertura mostra nomes dos personagens na criação e produção da série (só nos créditos finais temos os verdadeiros produtores e criadores), e os próprios personagens falam na 2ª temporada que a Netflix comprou a série e, por isso, eles teriam um maior orçamento, etc. É tudo muito bem orquestrado para que aquilo pareça um documentário real, investigando um crime que  existiu de verdade. Inclusive, os mais desavisados podem cair nessa e achar que tudo aquilo é vida real, mesmo com todo o tom de paródia (afinal, os crimes envolvem cocô e pênis) presentes ali.

Temporada 1 e os pênis pichados nos carros

No primeiro ano de “American Vandal”, acompanhamos a história de Dylan, pior aluno da escola, que adora fazer pegadinhas e desenhar pintos, e é acusado e expulso do colégio por pichar pênis nos carros dos professores. Dylan se diz inocente e até tem um álibi, sua namorada Mackenzie, mas o corpo docente do colégio está decidido de que Dylan foi o culpado, afinal, a reputação dele realmente não ajuda em sua defesa. Eis que entram Peter, aluno que sonha em ser cineasta, que junto com seu melhor amigo, Sam, decide criar um documentário, “American Vandal”, para provar a inocência de Dylan.

O absurdo das situações, e os mistérios envolvendo essa história, são a junção certa para fisgar o telespectador na série. Se em um primeiro momento parece loucura um crime envolvendo pênis pichados em carros, Peter e Sam nos fazem perceber que existe muito mais por trás disso: segredos, alunos mentirosos e mistérios envolvendo essa história. Em pouco tempo você vai estar envolvido nessa trama, se questionando a todo momento se Dylan é o culpado ou não – e criando mil teorias sobre quem é o verdadeiro pichador.

A primeira temporada de “American Vandal” usa de um crime aparentemente bobo para questionar instituições, como a escola, e fazer uma crítica aos julgamentos precipitados que a sociedade faz das pessoas e quais podem ser as consequências disso.

Temporada 2 e os crimes envolvendo cocô

Como então conseguir ser melhor do que uma 1ª temporada, que foi tão inovadora e surpreendeu positivamente? “American Vandal” mostrou que sabe a fórmula: pegou tudo que deu certo no primeiro ano, consertou algumas coisas que não tinham sido acertos e ousou ainda mais em sua trama.

Na 2ª temporada, com o sucesso do documentário envolvendo as pichações, Peter e Sam são contratados pela Netflix e ganham um orçamento maior. Com isso, eles são chamados para investigar um caso em um rico colégio no qual houve um surto de diarreia. Em um almoço, a limonada da cafeteria foi infectada e dezenas de estudantes começaram a fazer cocô nas calças. Obviamente não existia banheiro suficiente para todo mundo, ocasionando em pessoas fazendo suas necessidades no meio do corredor, em lixeiras, pessoas escorrendo em cocôs; tudo isso numa das cenas mais bizarras do mundo das séries.

Esse crime foi cometido por uma pessoa que se intitula como “Merdolino”, que ri de toda essa desgraça com postagens no Instagram. Além disso, esse não é um caso isolado: o ‘criminoso de merda’ continua cometendo ‘pegadinhas’ envolvendo cocô na escola. Kevin, um aluno bem atípico e excêntrico, acaba confessando a culpa pelos crimes, mas sua amiga, Chloe, não acredita nessa confissão e, por isso, chama Peter e Sam para documentar e investigar a história.

Se na primeira temporada o mistério já era grande, aqui é muito maior! Merdolino se mostra um grande vilão que chega a ameaçar e enfrentar nossos protagonistas, e os plot twists dessa história são grandes. O acusado da vez, Kevin, é mais carismático do que o da temporada passada, Dylan, o que nos faz torcer mais ainda pela inocência do rapaz e criar as mais loucas teorias junto com Sam e Peter para livrá-lo da culpa. O colégio também é mais cheio de mistérios e claramente privilegia e protege mais alguns estudantes do que outros. Com isso, “American Vandal” novamente tem a chance de criticar instituições.

O segundo ano de “American Vandal” toca fundo nas questões das redes sociais e como as novas gerações estão vivendo algo inédito, como se fosse uma vida em duas, uma dentro das redes e outra fora delas. A série fala sobre as consequências e perigos disso sem parecer piegas ou com ar de superioridade, como vemos em várias críticas ao mundo virtual espalhadas por aí. Ao final, o que começou como uma piada escatológica, termina de uma forma bem sensível e que toca o espectador.

“American Vandal” consegue nos fazer sentir os mais diversos sentimentos em uma série que, a principio, nunca imaginaríamos ter esse impacto! Agora é torcer e esperar a Netflix confirmar uma 3ª temporada e aumentar ainda mais o orçamento de Peter e Sam, para que possamos assistir uma história mais louca no próximo ano.