Amandla Stenberg explica perfeitamente a importância da interseccionalidade

02. abril 2016 POP 0
Amandla Stenberg explica perfeitamente a importância da interseccionalidade

Conhecida pela cobertura da cultura pop, a revista Interview manteve o tema em sua edição de abril, porém, traz em sua capa e no recheio jovens ativistas que têm utilizado sua plataforma na indústria do entretenimento para promover discussões sobre identidade e política.

Os “novos progressistas”, como a publicação os considera, têm um histórico de luta por igualdade racial, de gênero e por direitos da comunidade LGBT. São eles: Rowan Blanchard, Hari Nef, Ethan James, Emmanuel Olunkwa, Tyler Ford e, claro, Amandla Stenberg.

Esta última estrelou o primeiro filme da franquia “Jogos Vorazes” e se prepara para seu próximo papel no cinema: um filme sobre o movimento Black Lives Matter, baseado em um livro de Angela Thomas. A escolha da atriz para a capa da revista e para o longa não poderia ser mais acertada, afinal, Amandla é conhecida por sua autenticidade e por denunciar o racismo, misoginia e outras formas de opressão.

Recentemente, a atriz assumiu sua bissexualidade, e não deixou de compartilhar sua visão sobre a sua identidade interseccional para a Interview.

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Capa da Interview de abril

“Frequentemente eu recebo a pergunta: ‘na sua opinião, qual questão social é a mais urgente?’ ou ‘qual o componente mais importante da identidade? São os direitos LGBT, raça ou feminismo?’. E eu respondo: ‘bem, estão todos interligados. Tudo acaba em apenas uma conversa. Não dá para escolher somente um”, disse Stenberg.

E por ser uma mulher negra e bissexual, ela sabe que não é possível escolher uma luta de cada vez, pois os obstáculos que enfrenta por conta de sua identidade acontecem simultaneamente.

As pessoas vivem todas as formas de preconceito por conta das diferentes partes de quem são. E isso não torna uma parte mais importante do que a outra. Nós vivemos em uma sociedade que não aceita abertamente todos os seres humanos. E então, quando você é você mesmo e alguém marginalizado, isso se torna um ato revolucionário: estar confortável com seu próprio corpo e confortável em falar e compartilhar suas ideias.

Infelizmente ou não, entenda como quiser, quando você é uma pessoa marginalizada ou uma mulher de cor e/ou membro da comunidade LGBT, suas ações se tornam politizadas somente por ser quem você é. Porque nós não aceitamos completamente todos os tipos de seres humanos. Sendo eu mesma, estou fazendo algo político.”

E dividir seus ideais é algo que Amandla quer levar para seu trabalho. Há pouco tempo, ela foi aceita na escola de cinema da New York Academy, onde quer estudar para ser diretora. Segundo a artista, “o mundo é dominado por um pequeno grupo de seres humanos”, os quais acabam assumindo controle das histórias que são contadas no cinema. “Há muitas pessoas que não são representadas, que não têm personagens que pareçam com elas. Esse é um dos motivos pelos quais eu pretendo ser diretora, porque eu quero contar algumas dessas histórias.”

Sobre polêmica da falta de indicados de minorias étnicas pelo segundo ano consecutivo no Oscar, a atriz conta que concorda com os pontos levantados por Jada Pinkett Smith, a qual decidiu boicotar a premiação neste ano, mas também acredita que esses eventos não são, necessariamente, um reflexo de bons trabalhos na sétima arte. “Precisamos perceber que a arte e a criação são muito maiores do que um prêmio ou qualquer medida de realização.”

Por fim, Amandla sabe que seus posicionamentos atraem as mais variadas críticas, mas, acima de tudo, também inspiram e encorajam jovens.

“Para as pessoas que se sentem inspiradas pelo que eu faço, há algo concreto e poderoso no que acontece quando elas se sentem empoderadas. Na verdade, há um tipo de crescimento e autoaceitação e amor próprio, que eu espero que sejam são engatilhados. E isso é real.”

Foto de destaque: Getty Images.