Algumas curiosidades sobre “Corra!”, filme de terror que finalmente chega aos cinemas brasileiros

Algumas curiosidades sobre “Corra!”, filme de terror que finalmente chega aos cinemas brasileiros

Estreia hoje (18) nos cinemas brasileiros “Corra!” (“Get Out”, no título original), um filme de terror que conquistou o público americano e a crítica especializada.

Dirigido e escrito por Jordan Peele, o longa-metragem foca sua narrativa na viagem de Chris (Daniel Kaluuya), um jovem negro, até a cidade dos pais de sua namorada branca Rose Armitage (Allison Williams). A premissa da história se parece um pouco com “Adivinha Quem Vem Para o Jantar” (1967), que contava com Sidney Poitier no papel de um homem que também é convidado a conhecer os pais brancos de sua namorada.

Contudo, as similaridades entre os longas terminam aí. Na cidade dos pais de Rose, Chris começa a perceber que há algo muito estranho acontecendo ali, já que todos parecem se comportar de maneira esquisita. Inclusive os dois empregados negros que trabalham na casa dos Armitage.

Esse é um filme que chega ao país com muitos elogios, um recorde quebrado e depois da linda vitória de “Moonlight: Sob a Luz do Luar” no Oscar deste ano. Para você que está pensando em assistir a “Corra!” e saber mais sobre ele, eis algumas curiosidades:

O longa é de terror e fala sobre racismo:

Okay, isso pode não parecer surpresa para quem assiste ao trailer ou lê a sinopse, mas é importante destacar a importância do tema. Na obra de Jordan Peele, situações comuns à população negra são escancaradas e vistas pela ótica do protagonista de Daniel Kaluuya. O objetivo do diretor é criar identificação entre os negros e fazer o público branco reconhecer atitudes suas ou de pessoas conhecidas, de forma a criar empatia e uma mudança de comportamento.

“Em qualquer boa história, de quem quer que seja, você deveria ser capaz de se relacionar com o protagonista. Ao mesmo tempo, eu reconheci que as pessoas negras que assistissem ao filme teriam uma experiência diferente das pessoas brancas”, contou Jordan em entrevista ao NPR. “Quando eu pensava em uma cena ou momentos específicos, eu dizia: ‘eu espero que o público negro diga: ‘sabe de uma coisa? Essa é a minha experiência. Eu nunca a vi retratada em filmes dessa maneira. Isso é ótimo’. Mas reconheci, também, que muitas pessoas brancas assistiriam àquela cena e reconheceriam aqueles momentos como algo que eles talvez já tivessem feito, ou reconheceriam alguém que já tenha feito”.

Se para muita gente, um estranho assassino é um filme de terror, imagine viver o racismo todos os dias.

“Corra!” faturou muito na bilheteria dos Estados Unidos:

Feito com um orçamento entre US$ 4,5 milhões, o filme faturou alto na bilheteria americana. No seu final de semana de estreia, em fevereiro, “Corra!” fez US$ 33 milhões, algo muito difícil de acontecer com uma produção de terror. Mas essa não foi a única realização da obra: a produção também foi a primeira dirigida por um negro a bater a casa dos US$ 100 milhões de bilheteria. Até agora, o longa-metragem faturou mais de US$ 174 milhões nos Estados Unidos e mais de US$ 214 milhões no mundo todo.

“A razão para que esse filme esteja funcionando e ressoando com as audiências negras é porque dá a elas o crédito. Ele não presume que as pessoas vão sair do cinema para atacar outras pessoas. Ele presume que as pessoas estão engajadas intelectualmente com o tema. Eu sabia que o filme nos faria encarar nossos medos e nosso horror em vez de dividir as pessoas”, afirmou o diretor ao jornal The Guardian.

“Corra!” marca a estreia de Jordan Peele na direção de um filme, e de Daniel Kaluuya em um papel principal no cinema:

Antes do filme, Jordan Peele trabalhou como ator em várias séries de televisão. Como diretor, “Corra!” é seu primeiro projeto nas telonas. E, ao que parece, será o primeiro de muitos, já que ele tem ideias para novos trabalhos no futuro.

“Há muitas outras ideias que vêm germinando nos últimos oito anos, e eu gostaria de fazer todas elas. E até onde sei, minha próxima década ou mais – ajudando outros artistas desconhecidos ou identidades desconhecidas, para que encontrem suas próprias plataformas como produtor – eu quero escrever e dirigir outros thrillers sociais”, revelou o diretor para o site The Verge.

Daniel Kaluuya não é um rosto desconhecido. O ator inglês trabalhou em seriados televisivos conhecidos, como “Skins” e “Black Mirror”, e também atuou ao lado de Emily Blunt em “Sicário: Terra de Ninguém”. “Corra!” foi seu primeiro papel como protagonista no cinema, um filme que, com certeza, vai levar sua carreira ainda mais longe. Kaluuya, inclusive, faz parte de “Pantera Negra”, da Marvel, e já está confirmado em “Widows”, drama que possui Viola Davis no elenco.

O fato de ser britânico levou Daniel Kaluuya a ser criticado por Samuel L. Jackson:

Essa é a única polêmica envolvendo o filme. Com o sucesso de “Corra!”, o ator Samuel L. Jackson foi convidado a comentar a produção em uma entrevista para uma rádio, e fez algumas observações sobre artistas negros do Reino Unido pegando papéis que seriam de negros americanos.

“Há muitos atores britânicos nesses filmes. Eu me pergunto como ‘Corra!’ seria se houvesse um negro americano que viveu aquilo”, disse o Jackson. “Daniel cresceu em um país onde as relações inter-raciais existem há 100 anos. O que um irmão americano teria feito com esse papel? Algumas coisas são universais, mas não todas”.

O comentário dele diz respeito ao fato de ser cada vez mais comum vermos negros britânicos ganhando mais papéis em Hollywood. Além de Daniel Kuluuya, pense em David Oyelowo (“Selma”), John Boyega (“Star Wars”), Naomie Harris (“Moonlight: Sob a Luz do Luar”), Chiwetel Ejiofor (“12 Anos de Escravidão”) e Idris Elba (“Mandela”).

Daniel chegou a ser perguntado sobre a crítica de Samuel L. Jackson, e respondeu dizendo que respeita o ator, mas que há aspectos a serem levados em conta.

“Eu tenho a pele mais escura. Quando estou entre negros, me fazem sentir como ‘outro’, porque tenho a pele mais escura. Eu tive de lutar contra isso, contra pessoas dizendo: ‘você é muito negro’. Então, eu venho para os Estados Unidos e dizem: ‘você não é negro o suficiente’. Eu vou para Uganda [país de origem de seus pais] e não consigo falar a língua. Na Índia, eu sou negro. Na comunidade negra, eu tenho a pele escura. Nos Estados Unidos, eu sou britânico”, reclamou o ator para a revista GQ. “Eu tenho empatia. O roteiro conversou comigo. Eu fui a casamentos em Uganda, funerais, e vi primos com suas namoradas brancas. Isso acontece em todas as comunidades. Eu respeito muito a comunidade afro-americana. Eu só quero contar histórias sobre negros”.

“Corra!” começou a ser pensado depois da vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais de 2004:

O filme chegou aos cinemas só em 2017, mas a verdade é que Jordan Peele vem trabalhando nele há muito tempo: desde a primeira vitória de Barack Obama nas eleições americana, em 2004.

“Conforme adentramos nos primeiros anos da administração do Obama, ficou mais claro do que nunca, para mim, que raça era uma conversa que deixava as pessoas muito desconfortáveis. Havia essa mentira de era ‘pós-racial’ acontecendo. Então, esse filme, o propósito dele se tornou representar a experiência negra, mas também de representar raça em um filme de terror e nas conversas públicas, de uma forma que eu achava que era um tabu”, contou o diretor e roteirista ao The Verge.

Essas foram algumas curiosidades sobre “Corra!”, que chegou hoje aos cinemas! Aproveite e corra (risos) para vê-lo!


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