Alguém dê um Emmy para Danielle Brooks, a Taystee de “Orange Is The New Black”

Alguém dê um Emmy para Danielle Brooks, a Taystee de “Orange Is The New Black”
Julho é o mês da celebração da luta e da resistência da mulher negra. Marcadamente, o dia 25 representa o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Durante todo o mês, núcleos e coletivos articulam entre si, campanhas de cultura, identidade e empoderamento dessas mulheres. Participam dessa ação o Collant Sem Decote, Séries Por Elas, Kaol Porfírio, Delirium Nerd, Valkirias, Momentum Saga, Nó de Oito, Ideias em Roxo, Preta, Nerd & Burning Hell, e o Prosa Livre. #WeCanNerdIt #FeminismoNerd

[O TEXTO CONTÉM SPOILER DE “ORANGE IS THE NEW BLACK”]

É difícil escolher apenas uma personagem preferida em “Orange Is The New Black”, já que há tantas histórias interessantes no seriado. Talvez a menos empolgante seja Piper (Taylor Schilling), que é a personagem principal da atração. Ou como a criadora da série disse uma vez: ela é o cavalo de Troia, para que possamos ter acesso a narrativas muito mais bacanas de acompanhar.

Uma delas, sem dúvida, é de Taystee, interpretada por Danielle Brooks, a qual fez um trabalho primoroso na quinta temporada, e que merece reconhecimento no Emmy Awards deste ano. Nesse quinto ano, sua personagem é uma das líderes da rebelião que acontece na penitenciária de Litchfield, após a morte de Poussey (Samira Wiley). Taystee assume um papel importante nos protestos: o de negociar por melhores condições dentro da prisão e que o guarda Bayley (Alan Aisenberg) seja preso por matar sua amiga.

E toda essa mobilização da personagem e das outras detentas negras se dá por outro motivo, um que está diretamente ligado com o sistema penal: o racismo. Elas estão cansadas de ver suas experiências limitadas por conta do preconceito racial, que impede a população negra de ascender socialmente.

No quinto episódio da atual temporada, isso fica claro ao termos acesso ao passado de Janae Watson (Vicky Jeudy), que era uma adolescente brilhante, mas ainda nova percebeu que jamais teria as mesmas oportunidades e acesso à educação das crianças brancas. Ela teria de lutar duas vezes mais para conseguir só metade do que os brancos têm. E isso faz com que ela insista para que Taystee não deixe Judy King (Blair Brown) falar para a imprensa quais são as reivindicações das detentas para acabar com a rebelião. Isso porque Judy, durante todo o tempo em que ficou presa, teve um tratamento bem diferente daquele dado às negras e demais mulheres. Como ela poderia dizer algo que não vivenciou e nem nunca vivenciará? Ao final, é a personagem de Brooks, com lágrimas nos olhos, quem acaba conversando com a mídia.

“Nossa luta não é contra Judy King”, ela diz. “Nossa luta é contra um sistema que não dá a mínima pra quem é pobre, quem é negro e quem é pobre e negro”. 

Nessa temporada, também temos mais um flash back para o passado de Taystee, envolvendo sua relação com sua mãe biológica. Descobrimos que as duas chegaram a se reencontrar, mas não se conectaram. E isso porque a mãe da garota já havia uma nova família e não quis colocar sua filha em sua vida atual. A situação faz com que a menina perca o controle e sinta que não pertence a lugar algum, o que nos faz entender o motivo pelo qual ela luta tanto por melhores condições em Litchfield e pelas suas amigas: aquela é a única casa que ela conhece e aquelas meninas são a única família que ela possui. Perder aquilo significa perder tudo o que tem. 

A atuação de Danielle Brooks foi cheia de nuances e conseguiu transportar o público para a realidade de Taystee e da população negra, que sofre diariamente não apenas com a violência policial, mas com o racismo. É ótimo que essa oportunidade tenha sido dada a Brooks e não a uma personagem branca qualquer. E é importante que a audiência se conecte com quem lida com a falta de oportunidades e sinta na pele o peso do racismo.

Por isso, créditos a Danielle e seu trabalho incrível, revigorante e cheio de força na quinta temporada de “Orange Is The New Black”. O Emmy deveria ao menos indicá-la, para reconhecer o talento que habita na atriz, que vem ganhando cada vez mais espaço na televisão americana. Não só isso, assim como o Oscar e o Globo de Ouro, o premiação da TV dos Estados Unidos falha em reconhecer trabalhos de artistas negros. Para se ter uma ideia, em 2015, Viola Davis se tornou a primeira negra a vencer na categoria de Melhor Atriz em Série Dramática.

Já é passada a hora de acabar com os ‘primeiros’ a ganhar alguma coisa. É preciso tornar comum negros ganharem prêmios. E espero que Danielle Brooks leve o seu para casa.


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