Agência federal investiga a baixa contratação de mulheres como diretoras em Hollywood

09. novembro 2015 Cinema 0
Agência federal investiga a baixa contratação de mulheres como diretoras em Hollywood

Uma agência federal está investigando, desde o começo de outubro, a baixa contratação de mulheres em Hollywood em cargos de direção. A Equal Employment Opportunity Commission (EEOC) enviou cartas a algumas diretoras para agendar entrevistas e descobrir se já vivenciaram algum tipo de discriminação na indústria cinematográfica. De acordo com o Deadline, serão ouvidas 50 mulheres pela EEOC.

Em maio deste ano, a American Civil Liberties Union (ACLU), ONG que defende os direitos da população americana, pediu uma investigação federal sobre o recrutamento e as contratações feitas por grandes estúdios, canais de televisão e agências, alegando que há uma violação aos direitos civis pela baixa presença de mulheres no cinema.

Agência federal investiga a falta de contratação de mulheres em Hollywood
Nancy Meyers

“As diretoras não estão trabalhando em condições de igualdade e não têm as mesmas oportunidades de sucesso. Discriminação por gênero é ilegal e Hollywood não está imune quando se trata de direitos civis e discriminação de gênero”, contou à Variety Melissa Goodman, diretora do Projeto de Justiça Reprodutiva, Gênero e LGBT da ACLU, do sul da Califórnia.

O Deadline explica que a Equal Employment Opportunity Commission é uma agência federal responsável por fazer cumprir a legislação americana, que não permite discriminação no trabalho por sexo, cor, religião, país de origem, idade, gênero, deficiência e/ou genética. Isso significa que a indústria cinematográfica pode sofrer uma ação judicial de classe, caso seja comprovado algum tipo de discriminação na contratação de diretoras para filmes e programas de televisão.

Agência federal investiga a falta de contratação de mulheres em Hollywood
Angelina Jolie

Ao Los Angeles Times, Lori Precious, a diretora de comerciais e videoclipes, uma das mulheres que recebeu uma carta de convocação da EEOC, elogiou a ação do governo em escutar as mulheres. “Estávamos todas esperando que isso fosse longe. Estou cansada de escutar que não há mulheres qualificadas. Há mulheres qualificadas para trabalhar em qualquer função de diretora em Hollywood”.

Uma das responsáveis para que a investigação acontecesse em Hollywood é a cineasta Maria Geise, que em fevereiro de 2013 pediu que uma ação fosse tomada pela Equal Employment Opportunity Commission. À época, a agência disse que não poderia abrir um processo contra uma indústria inteira apenas apoiar um processo contra um estúdio ou companhia de produção feito por Maria. “Nenhuma mulher arriscaria sua carreira movendo uma ação judicial, porque ela entraria numa lista negra”, contou Geise ao Deadline.

A diretora procurou então a American Civil Liberties Union, que mudou a cabeça da agência federal. “Estamos agradecidas à ACLU e à EEOC. Esta é uma investigação que está atrasada há muito tempo. Espero que isso seja a ponta de lança para a criação de igualdade para todas as mulheres da nossa indústria e para as mulheres de qualquer indústria”, concluiu Maria Geise.

Segundo um estudo recente da Universidade do Sul da Califórnia, mulheres dirigiram apenas 1,9% dos 100 maiores filmes de 2013 e 2014. O mesmo relatório aponta que a elas é dado somente 30% dos papéis e, conforme a idade, orientação sexual e raça, menos personagens são oferecidos. Na televisão, elas dirigiram 16% de todos os episódios que foram ao ar entre 2013 e 2014.

No Brasil, mulheres dirigem apenas 16,5% dos filmes nacionais, de acordo com reportagem da Folha. Em 2014, elas dirigiram 1 a cada 10 obras cinematográficas.