Academia do Oscar anuncia as primeiras mudanças após protestos por diversidade na premiação

22. janeiro 2016 Cinema 2
Academia do Oscar anuncia as primeiras mudanças após protestos por diversidade na premiação

Uma semana após a Academia do Oscar anunciar os indicados à premiação e receber protestos por falta de diversidade entre os escolhidos como melhores de 2015, a organização divulgou hoje (22) suas primeiras mudanças internas para garantir que “a adesão da Academia, seu conselho de administração e seus membros votantes sejam mais diversificados.” O objetivo é dobrar o número de mulheres e de outras minorias dentro da entidade até o ano de 2020.

Segundo um comunicado divulgado através das redes sociais, as medidas aprovadas por votação unânime na quinta-feira (21), visam realizar mudanças a curto prazo. “A Academia vai liderar e não vai esperar a indústria acompanhá-la”, disse a presidente da organização, Cheryl Boone Isaacs. “Estas novas medidas dizem respeito a administração e votação terão impacto imediato e começarão um processo de mudança significativa dentro da nossa composição de membros.”

As ações começam a valer a partir do fim do ano. Entre elas, está o fim da adesão vitalícia, que começará a valer por 10 anos, e só poderá ser renovada caso o membro tenha atuado no cinema durante aquela década. Além disso, após 30 anos na Academia, ou se for indicado a um Oscar, o membro terá direito ao voto vitalício. As novas regras serão aplicadas retroativamente aos membros atuais. Quem não atender aos novos critérios, será transferido para a posição de membro emérito, que não permite participar das votações.

Paralelo a isso, a Academia irá auxiliar o processo tradicional de escolha de novos membros feitos pelos atuais membros. O comunicado informa que será feita uma grande campanha global para identificar e recrutar novos membros que representem uma diversidade maior. O Conselho de Governadores também será aumentado, ganhando três novas cadeiras, cujos integrantes serão indicados pela presidente para um mandato de três anos.

Essas foram as primeiras mudanças anunciadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, após anúncios de boicotes de grandes nomes de Hollywood, como Spike Lee, Jada Pinkett Smith e Will Smith.

O jornal The New York Times ouviu fontes que preferiram ficar anônimas, sugerindo que o Oscar deveria voltar a indicar 10 produções na categoria de ‘Melhor Filme’, como aconteceu nos anos de 2010 e 2011. Uma outra mudança, que seria menos provável, é aumentar o número de indicados nas categorias de atuação para 8 ou 10 atores e atrizes, uma mudança radical na estrutura da premiação, que mantém o mesmo sistema desde 1930.

Vale dizer que as mudanças que serão implementadas pela Academia não alteram a falta de diversidade da indústria cinematográfica. Como lembrou Viola Davis nesta semana, “o problema é o sistema de Hollywood de fazer filmes.” A indústria do cinema está longe de ser igualitária e mudanças mais profundas precisam ser feitas para garantir uma representação igualitária de minorias na frente e atrás das câmeras.

A hashtag #OscarsSoWhite funcionou e forçou uma tomada de medidas que devem trazer mudanças à estrutura da premiação. Mas há muito mais o que fazer. Ainda assim, primeiros passos precisam ser reconhecidos e comemorados. Vamos ver o que vem em seguida.