Abaixo-assinado pede a retirada de filme homofóbico do catálogo da Netflix

04. abril 2017 Cinema 1
Abaixo-assinado pede a retirada de filme homofóbico do catálogo da Netflix

Quando se trata de diversidade, seja de gênero, sexual ou racial, a Netflix dá um belo exemplo de como se faz, já que grande parte de suas produções trazem mulheres, LGBTs e minorias étnico-raciais em papéis de destaque em filmes e séries. E no que diz respeito, especialmente, à população formada por lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans, a plataforma de streaming conta com um bom acervo de obras que trazem esses indivíduos representados de forma apurada e em boas narrativas.

Por isso, é decepcionante que, dentre as várias opções presentes no catálogo da Netflix, esteja um filme extremamente homofóbico, que se apoia em estereótipos negativos para contar a história de um menino que é adotado por pais homossexuais. “Pink” é um filme do diretor mexicano Paco del Toro, e que busca demonstrar como a homossexualidade é algo errado e que a adoção de crianças por um casal de gays ou de lésbicas deveria ser proibida.

No longa-metragem, que causou a ira de grupos LGBT em seu país de origem, um menino é adotado por um casal de homens, um que incorpora os ideais do ‘macho’ e um afeminado. Os dois recebem, com frequência, a visita de amigos, também afeminados, que são a personificação dos estereótipos atribuídos a homens gays: escandalosos, de que dão em cima de todos os homens, de que só pensam em moda e sexo. Indo além, um desses amigos ainda assedia o filho do casal, reforçando aquela ultrapassada ideia de que homossexuais são pervertidos, promíscuos e pedófilos.

Não só isso, o menino começa a ficar confuso com sua própria sexualidade, por conta do convívio com seus pais e as pessoas que os cercam; como se a homossexualidade fosse ‘aprendida’ ao longo da vida.

Para piorar ainda mais, um dos pais da criança lê a Bíblia e rejeita o ‘estilo de vida homossexual’, enquanto o outro é infectado com HIV, pois afinal de contas, esse é o castigo divino aos gays. Ou seja, “Pink” é um filme completamente errado e que não deveria ter espaço em qualquer sala de cinema ou plataforma de streaming.

Antes que alguém pense que o filme busca criar uma conversa ou fazer uma crítica à homofobia, a própria página do Facebook da produção já diz qual o seu propósito.

“No princípio da criação, Deus fez o homem e a mulher. Por isso, deixará o homem como pai e ele se unirá à mulher, e os dois serão apenas uma carne”.

Ao final do longa-metragem, antes de subirem os créditos, mensagens são exibidas, nas quais é dito que “estudos científicos mostram que a atração sexual entre pessoa do mesmo sexo é maior em crianças que vivem com casais gays ou de lésbicas. Em nome do ‘progresso e da democracia’, está sendo gerada uma sociedade irreconhecível, em que o matrimônio entre um homem e uma mulher será ‘coisa rara’ no futuro. Tudo sob a complacência de uma sociedade adormecida e carente de valores com que parece já não se importar”.

Segundo o diretor de “Pink”, Paco del Toro, seu objetivo com a produção é o de ‘proteger as crianças’ e alertar a sociedade.

“As crianças não devem ser troféus para o movimento gay. Os interesses de uma criança deveriam prevalecer na adoção”, ele disse em uma entrevista. “É claro que uma criança adotada por gays pode se tornar homossexual, pois a criança absorve os comportamentos e os costumes da casa como esponjas”.

É o tipo de argumento que não faz qualquer sentido já que, eu e qualquer outra pessoa que seja homossexual, não ‘absorvemos’ os comportamentos heterossexuais de nossos pais.

No México, um abaixo-assinado foi feito para impedir que o filme fosse exibido nos cinemas. Por aqui, já há uma petição para que a Netflix tira a obra de seu catálogo. Até o fechamento deste post, ela já conseguiu mais 1.200 assinaturas. Clique aqui para assiná-la.

Em tempos de maior visibilidade à comunidade LGBT na mídia, “Pink” vai na contramão da luta pelo respeito, igualdade e aceitação de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans. Fica aqui o nosso pedido para que a Netflix entenda e retire a produção de seu acervo.


1 thought on “Abaixo-assinado pede a retirada de filme homofóbico do catálogo da Netflix”

  • 1
    Sybylla on 04/04/2017 Responder

    “Segundo o diretor de “Pink”, Paco del Toro, seu objetivo com a produção é o de ‘proteger as crianças’ e alertar a sociedade.”

    Segundo myself, o objetivo da produção é mostrar como o diretor é um homofóbico que se esconde sobre a falsa pretensão de produzir ~arte para alertar~ a sociedade de um perigo que não existe. Netflix acerta, mas erra feio e rude algumas horas que PQP, viu?

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