A Heineken colocou pessoas de diferentes ideologias e identidades para debater – e funcionou

A Heineken colocou pessoas de diferentes ideologias e identidades para debater – e funcionou

Semanas depois do desastroso comercial da Pepsi, que tentou vender a ideia de união em tempos de divisão por meio de um refrigerante gelado, a Heineken apresenta um filme publicitário melhor elaborado, e que consegue transmitir uma mensagem de união que soa muito mais verdadeira do que sua antecessora.

Em “Worlds Apart” (ou “mundos distantes”, em português), a marca de cerveja fez um experimento com seis pessoas com ideologias e identidades diferentes: um homem que se classifica como pertencente à ‘nova direita’ e que acredita que o feminismo é o mesmo que odiar os homens (ele ainda diz que as mulheres devem entender que vieram ao mundo para ser mães); uma mulher negra que se identifica como feminista e de esquerda; um homem que nega o aquecimento global; outro que entende que o aquecimento global é real e perigoso; uma mulher trans; e um homem que é contra os direitos de pessoas trans. Já dá para imaginar aonde isso vai dar.

Eles são separados em duplas, sem saber sobre o que é o experimento, tampouco sabem algo sobre o outro. A eles são dadas algumas tarefas, sendo a primeira montar dois bancos. Um ajuda o outro e, em seguida, é pedido a eles que se descrevam usando 5 adjetivos. Depois, para que encontrem 3 coisas em comum entre eles. O próximo exercício consiste em montar, isso mesmo, um bar. Logo eles pegam cervejas, pois o que vem a seguir é algo que poderia arruinar o experimento (mas obviamente, isso não acontece): eles assistem a vídeos em que cada um fala sobre suas ideologias e identidades, e todos são convidados a sair ou debater sobre o que ouviram.

Todos os participantes decidem ficar para construir um diálogo. O homem que era contra o feminismo, inclusive, diz em um momento: ‘acabe com o patriarcado’, enquanto o homem que era contrário ao direito de pessoas trans pede o número do celular de sua nova amiga, dizendo que terá de avisar sua namorada que começará a ligar para outra mulher para conversar.

Eu sei o que você está pensando: embora o comercial seja um respiro de alívio, afinal, mostra pessoas completamente diferentes conversando e buscando coisas em comum, no mundo real é muito mais difícil que isso aconteça. Eu, por exemplo, duvido que conseguiria sentar com o Bolsonaro e fazê-lo ouvir e entender que LGBTs não buscam privilégios, mas amparo na lei por conta da constante violência contra essa população. Seria uma missão quase impossível, também, fazer com que um nazista sentasse e escutasse sobre direitos humanos. Eu entendo.

Ainda assim, o conceito por trás do filme da Heineken é muito interessante, pois mostra que é possível dialogar e encontrar pontos em comum entre pessoas que não se parecem em nada. E isso acontece porque ambas as partes se mostram dispostas a ouvir, e não só a falar. É reconfortante imaginar o quanto poderíamos avançar, caso buscássemos o diálogo em vez de atacar pessoas que não pensam como a gente.

Sei que é uma marca aproveitando o clima atual para vender seu produto, mas não deixa de ser uma proposta positiva buscar a união por meio de pessoas que não são famosas, e que tentam encontrar meios de se entender. Pode ser uma visão inocente da minha parte – e da Heineken – mas não deixa de ser um comercial inteligente e melhor executado do que aquele feito pela Pepsi.

E indo além, qual a melhor forma de discutir assuntos importantes do que com uma cerveja?


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