A Disney na década dos live-actions

A Disney na década dos live-actions

Quando você pensa em Disney, qual o primeiro filme que lhe vem à cabeça? Muito provavelmente sua resposta é alguma das clássicas animações do estúdio (Branca de Neve e os Sete Anões, Aladdin, O Rei Leão, etc.), ou no máximo as produções em parceria com a Pixar (como Toy Story e Procurando Nemo). Apesar de os live-actions – produções em carne e osso, ou que misturam atores reais com animação – não serem novidade para o estúdio, também não foi com eles que a Disney fez sua fama. Pelo menos não até a última década.

Clássicos da animação como “101 Dálmatas” já tiveram versões filmadas antes, mas o que tem acontecido nos últimos anos é uma atenção especial do estúdio ao gênero. Encontraram um mercado promissor ao repaginar grandes sucessos em formato live-action, e os mesmos tem chamado grande atenção do público. Hoje em dia, é possível falar em Disney e pensar em atores ao invés de personagens animados.

Cena do live-action de "101 Dálmatas"
Cena do live-action de “101 Dálmatas”

E essa nova fase dos live-actions já começou com tudo: em 2010, chamaram o diretor Tim Burton – que, vejam só, começou sua carreira como animador nos estúdios Disney – para dar uma nova cara ao clássico obscuro “Alice no País das Maravilhas”. Grande expectativa foi gerada em torno do longa, e a personagem renasceu como fenômeno pop, figurando coleções de moda e inúmeras reedições da obra de Lewis Carroll lançadas na época, além do próprio merchandising do filme, coisa que já é tradição na Disney. O resultado na bilheteria refletiu essa expectativa, mas o filme acabou decepcionando os mais exigentes. O roteiro não era exatamente uma adaptação do livro, mas sim uma continuação duvidosa do mesmo, e situações confusas e mal encaixadas serviram apenas para Tim Burton outra vez exibir a força visual de seus filmes, e para Johnny Depp entregar mais uma interpretação excêntrica, porém sem novidade.

Mia Wasikowska em "Alice no País das Maravilhas"
Mia Wasikowska em “Alice no País das Maravilhas”

Mas, parece que funcionou. Pouco tempo depois, a Disney repaginou outro clássico do cinema, “O Mágico de Oz”, que originalmente nem é uma produção do próprio estúdio. Poderiam ter feito o que quisessem, inclusive trazido para as telas o charme da narrativa de “Wicked”, sucesso da Broadway que narra outra perspectiva sob a mesma história. Só que, outra vez, a Disney acabou entregando um roteiro fraco, e “Oz: Mágico e Poderoso” passou batido.

Alguém um dia já disse: um roteiro bom pode virar um filme ruim, mas um roteiro ruim dificilmente pode virar um filme bom. Não foi por falta de aviso. Transformar a bruxa d’A Bela Adormecida em uma vítima boazinha na adaptação live-action “Malévola” também foi um equívoco, embora o filme tenha sua graça. Angelina Jolie está ótima no papel, e há também alguma profundidade na narrativa, como a metáfora ao estupro, representada pelo corte das asas da fada Malévola (que se chama Malévola mesmo sendo uma fada boazinha, vejam vocês). Outro grande sucesso, apesar dos pesares.

Meryl Streep em "Caminhos da Floresta"
Meryl Streep em “Caminhos da Floresta”

Em 2015 já foram duas produções da Disney com a mesma pegada. A primeira, “Caminhos da Floresta”, talvez o live-action mais bem realizado tecnicamente, pode ter causado estranhamento no público por sua grande quantidade de personagens, tramas e reviravoltas. Cansativo apesar de bem humorado, talvez funcione melhor mesmo como musical de teatro. Já a segunda, “Cinderela”, aposta outra vez na reinvenção de um clássico. O Prosa Livre já comentou o filme num post aqui no blog. E, assim como aconteceu com “Alice”, o filme alcança também outros mercados, como o da moda, com editorial em revistas como a Vogue e com grandes grifes recriando o icônico sapatinho de cristal na última coleção.

Lily James em "Cinderela"
Lily James em “Cinderela”

E essa semana, além da estreia de “Cinderela”, veio também o anúncio de um possível live-action da animação “Mulan”. Se for verdadeira, a notícia só reforça o bom momento da Disney, e dá sinal verde para outras repaginadas nos clássicos. Agora, fica a dúvida: reviver antigos sucessos não seria uma forma de mascarar um momento pouco criativo, não só na Disney mas também no cinema americano de modo geral? Mas isso é assunto pro próximo post. Por enquanto, a pergunta é: que clássico animado da Disney você gostaria de ver em versão live-action, e com qual elenco?


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