5 músicas misóginas, mas que você não percebeu

23. outubro 2014 POP 2
5 músicas misóginas, mas que você não percebeu

Já aconteceu com você de estar ouvindo uma música, em inglês, gostar muito, mas quando reparou na letra, perdeu o gosto por ela? Provavelmente, sim. Todo mundo tem uma música em outra língua que a adora, e na hora de ler a tradução, pensa “mas que merda!”. O pior não é quando a música não faz sentido (ou faz na cabeça de quem canta), é quando tem conteúdo ofensivo.

Sim, tem muita música por aí, feitas até por artista que você ama, e que possuem letras muito ruins. Muita gente até consegue “separar o artista da obra”, claro. Mas em alguns casos, simplesmente não dá. Principalmente quando o “artista” possui um histórico não muito bom e sua música acaba refletindo isso, mesmo que, há princípio, não pareça.

E a música pode ainda refletir aspectos da nossa sociedade, mas de uma forma tão sutil e, por vezes divertida, que nem prestamos muita atenção no que está sendo transmitido. Quer ver? Aqui vão 5 músicas misóginas, que aposto que você não percebeu:

The Beatles – Run For Your Life

Quem é fã dos Beatles pode até não gostar de ver uma obra deles nessa lista, mas presta atenção na letra: “É melhor você correr para sua vida se puder, garotinha/ Esconder sua cabeça na areia, garotinha/ Te pegar com outro homem/ É o fim, garotinha“. O cara acha que é dono da garota e não “aceita” o fim do relacionamento. Aí faz ameaças como essa. Acho que assistimos a esse filme todos os dias na vida real, não? Pois é. John Lennon mesmo disse em uma entrevista, anos mais tarde, que era a música que ele mais odiava.

The Police – Every Breath You Take

Clássico dos anos 80, “Every Breath You Take” pode parecer inocente, mas se prestar atenção é uma ode aos stalkers. É fácil de perceber. “A cada elo que você quebrar/ A cada passo que você der/ Eu estarei observando você” e “Oh, você não vê/ Que você pertence a mim?“, canta Sting. Isso não é nada romântico. Isso não é uma música de amor. É misoginia. É mais um exemplo de música que trata a mulher como um objeto e não como um ser humano.

Robin Thicke – Blurred Lines

Trazendo a lista para os dias atuais, temos a ‘música do verão americano‘ de 2013, segundo a Billboard. “Blurred Lines” é toda errada, da letra ao clipe. “Tentei te domesticar/ Mas você é uma animal” e a repetição do verso “Eu sei que você quer” ilustram perfeitamente o quão misógina essa música é. Não só ela, né? Robin Thicke também. Além disso, depois que sua ex-esposa, a atriz Paula Patton, separou-se dele, Thicke resolveu fazer um novo álbum com o nome dela e todo sobre ela. E ainda fez um clipe (‘Get Her Back‘) com mensagens de textos, onde ele assume que errou com ela e a quer de volta, mas ela não aceita. A última mensagem dele no vídeo é “Isso é só o começo“. Pelo jeito, ele não se mancou. Thicke é daqueles que você não separa o artista da obra, porque suas músicas mostram bem quem ele é.

Chris Brown – Fine China

Chris Brown é mais um daqueles que não dá para separar o ‘artista da obra’, porque quem não se lembra da agressão dele a Rihanna? Então, “Fine China” pode parecer inofensiva, mas não é. “Está tudo bem/ Não sou perigoso/ Quando você for minha/ Serei generoso/ Você é insubstituível/ Não colecionável/ Como uma bela porcelana“. Sim, ele está comparando a garota a um objeto. Detalhe que a garota do vídeo é asiática. Pegaram a objetificação da mulher na letra e o racismo do clipe? E o vídeo todo é isso: estereotipando a cultura asiática. É só prestar atenção. Chris Brown quer mudar a imagem de misógino, mas não tá funcionando. E acho que nunca vai funcionar.

Maroon 5 – Animals

Eu amo o Maroon 5. Amo! Já fui em show, fiquei rouco e tudo, mas essa música e esse vídeo não consigo defender. Não dá. A letra já fala por si só: “Baby, serei seu predador essa noite/ Te caçarei, te comerei viva/ Como animais“. Adam compara uma mulher com uma presa e ainda normaliza a perseguição (stalking). Isso não é nada sexy. É violento e misógino. Não só isso, além de interpretar um açougueiro (!!!), ele persegue uma moça, sua esposa na vida real, Behati Prinsloo. Mau gosto total. Continuo fã do Maroon 5, mas essa música tá longe de ser minha preferida.


2 thoughts on “5 músicas misóginas, mas que você não percebeu”

  • 1
    Lucrecia on 19/07/2015 Responder

    Faltou mencionar a bobinha e nova do Skank “Sutilmente”
    “E quando eu estiver triste
    Simplesmente me abrace
    Quando eu estiver louco
    Subitamente se afaste
    Quando eu estiver fogo
    Suavemente se encaixe
    E quando eu estiver bobo
    Sutilmente disfarce…”

    A banda piora com o tempo, ou sai do armário em tempos de retrocesso… (?) Tenho nojo dessa do Sting. As demais eu não conheço.

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