5 filmes/ séries da Netflix com personagens cegos

13. dezembro 2018 Prosa Livre 0
5 filmes/ séries da Netflix com personagens cegos

Texto feito com a colaboração do grupo “Ilha das Amazonas”

Hoje é dia do cego. É sabido que, apesar de poucos filmes terem personagens cegos com destaque, há algumas exceções. E aqui vai uma lista de filmes/séries da Netflix que têm esses personagens de maneira bem desenvolvida.

O LIVRO DE ELI

Denzel Washington com óculos de sol, camiseta e jaqueta, em cena de "O Livro de Eli"
Denzel Washington com óculos de sol, camiseta e jaqueta, em cena de “O Livro de Eli”

O filme se passa em um cenário pós-apocalíptico, depois que o planeta Terra foi devastado por uma guerra nuclear. Eli é um homem que vaga, há cerca de 30 anos e sempre na direção oeste, buscando ajuda para traduzir o último exemplar de um livro. Em meio a essa jornada, várias confusões acontecem.

“O Livro de Eli” parece não mostrar muitos preconceitos, a não ser em relação à personagem Solara, que sofre machismo tanto por parte de Eli quanto por parte dos vilões.

Mesmo assim, o filme parece ser representativo. Não só o protagonista é negro e cego, como também temos empoderamento feminino.

AVATAR – A LENDA DE AANG

Aang ao centro da imagem. Ao seu lado, estão Katara e Sokka
Aang ao centro da imagem. Ao seu lado, estão Katara e Sokka

O cenário é o antigo oeste asiático. Numa era perdida, havia quatro nações: fogo, água, terra e ar, que viviam em harmonia. Quando a nação do fogo decide atacar, a guerra se instaura e somente um Avatar (os avatares aprendem a dominar os quatro elementos da natureza) poderia acabar com ela. Contudo, eles somem misteriosamente e desaparecem. Cem anos depois, os irmãos Katara e Sokka, da nação da água, descobrem um novo Avatar: Aang. Entretanto, Aang sabe apenas dominar o ar. Os três, então, vão atrás de ajuda para fazer Aang conseguir dominar os outros dois elementos.

A parte interessante é que ninguém (nem os telespectadores ou Aang, Katara e Sokka) esperava que uma dominadora de terra ajudaria Aang na missão. E mais: ela é uma garota cega: Toph Beifong. A partir daí, através da personagem, a série fala sobre capacitismo (preconceito contra pessoas com deficiência), mostrando bem a realidade de muitas pessoas com deficiência por aí.

DEMOLIDOR

Matt Murdock, o Demolidor, está de óculos escuros e de terno, arrumando sua gravata

De várias maneiras, a série é bem representativa. Inclusive, Matt (o Demolidor), ao longo da série, recebe comentários do tipo: “você não pode ir lutar! Você é cego!”, mas lida com eles com maturidade, provando que realmente pode ser cego e estar em um tiroteio.

Mas isso não é tudo. Seu pai não o inferioriza, não o mima, mas também não ignora o fato de seu filho ter deficiência. Isso, a princípio, pode até não ser tão representativo para muitas pessoas com deficiência, porém, a série deixa bem claro que este tipo de relação com pai e filho é um caso paticular. A série deixa implícito que existem outras realidades.

Mas a série “Demolidor” também tem seus defeitos.

Em primeiro lugar, o ator que interpreta o Demolidor, Charlie Cox, sequer deficiência tem. É de se admitir que seria muito mais fácil chamar um ator cego para interpretar o personagem. E vivemos em um mundo com mais de 7 bilhões de pessoas. Não é possível que nenhuma pessoa cega estaria hábil a interpretar o Demolidor. Ou, ao menos, alguém com deficiência.

Em segundo lugar, Matt ganha seus poderes depois de se tornar cego. E seus poderes são nada mais do que um aumento na habilidade de seus outros sentidos. Nem toda pessoa com cegueira tem os outros sentidos apurados, e os que têm, adquiriram isso através de muito treinamento – e não por um passe de mágica, como foi o caso de Matt.

Em terceiro lugar (e isso não é culpa especificamente da série), há um pensamento de que o Demolidor é o único super-herói com deficiência, que é o mesmo que dizer que a Tempestade é a única super-heroína negra. O fato de ser mais famoso não significa que ele seja o único. Para se ter uma ideia, há até outros super-heróis cegos (o “Doutor Meia-Noite”, por exemplo).

HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

Leonardo de braço dado a Gabriel, acompanhado da amiga Giovana
Leonardo de braço dado a Gabriel, acompanhado da amiga Giovana

O drama conta a história de Léo, um garoto cego que sofre bullying na escola por causa disso. E, ao chegar em casa, ainda é obrigado a aguentar seus pais o prendendo e mimando. Porém, essa realidade muda quando ele conhece Gabriel.

“Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” é um filme representativo, pois tem um protagonista gay e cego, mas também tem suas falhas. O longa-metragem dramatiza demais a vida de uma pessoa com deficiência, reduzindo-a a apenas ao preconceito. 

MARGARITA COM CANUDINHO

Laila sorri em uma das cenas de “Margarita com Canudinho”

Laila é uma indiana com paralisia cerebral que se muda para Nova York para estudar em uma universidade (e sua mãe, que a protege demais, segue viagem com ela para dar assistência). Em uma manifestação, Laila conhece Khanum, uma ativista cega, a qual se torna alguém especial na vida de Laila, mudando-a totalmente.

O filme demonstra muito bem como funciona o capacitismo (preconceito em relação às pessoas com deficiência), quebrando vários estereótipos. O filme não só é representativo por mostrar personagens que são de diversos grupos minoritários (a própria protagonista é indiana, mulher, com deficiência e LGBT), como também por representá-los como complexos e humanos. Laila e Khanum lutam para serem livres dos estereótipos que a sociedade designou para elas.