4 Pequenas Verdades sobre o Oscar que aprendemos esse ano

23. fevereiro 2015 Cinema 3
4 Pequenas Verdades sobre o Oscar que aprendemos esse ano

A entrega do Oscar 2015 rolou ontem à noite, e podemos dizer que o Prosa Livre acertou metade dos palpites que demos sobre os vencedores. OK, não ganhamos o bolão, mas não foi nada mal também. E agora que já conhecemos todos os premiados, vamos a uma pequena lista de coisas simples que aprendemos sobre o Oscar ao assistir à cerimônia desse domingo.

1. Discursos podem (e deveriam sempre) ser poderosos

O melhor da festa ontem foram, sem dúvida nenhuma, os discursos de agradecimento. Fizemos até um post especial sobre isso, mas vale reforçar aqui também. Desde o célebre discurso da índia Sacheen Littlefeather em 1973 (quando ela recusou o Oscar em nome de Marlon Brando por seu grande trabalho em “O Poderoso Chefão”), a cerimônia tem uma lista razoável de discursos fortes.

Mas só na noite de ontem foram abordados vários temas de extrema importância não só para a indústria do cinema, mas para a sociedade de modo geral: discursos anti-racismo, pró-LGBT, feministas, em favor dos imigrantes nos EUA… A lista é enorme, e prova a importância de usar um veículo do alcance da cerimônia do Oscar para reafirmar essas lutas. Ah, e sem esquecer o discurso mais fofo da noite, quando Julianne Moore merecidamente venceu na categoria Melhor Atriz.

2. Um host muda tudo (pra melhor ou pra pior)

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Muitas vezes, o Oscar aposta em apresentadores com humor mais certinho, como Billy Crystal ou Steve Martin. Mas uma tendência cada vez maior é a Academia convidar personalidades mais próximas do grande público para apresentar a cerimônia. Funcionou muitas vezes – com Whoopi Goldberg (que apresentou 4 vezes, a última em 2002) e mais recentemente com Ellen DeGeneres (duas vezes, em 2007 e 2014). Outras, nem tanto – só lembrar de James Franco e Anne Hathaway em 2011 e de Seth MacFarlane em 2013.

Esse ano, todos apostavam em Neil Patrick Harris. Querido do público pelo sucesso do seriado “How I Met Your Mother”, e também por sua família com o ator David Burtka, Harris também tinha experiência como host, já tendo apresentado o Tony Awards. Mas não foi dessa vez. Algumas poucas piadas funcionaram, como a envolvendo Bennedict Cumberbatch, John Travolta e Idina Menzel, mas a maioria delas foi fraca, até criticável. Não foi uma apresentação ousada – nada de selfies com Meryl Steep ou coisa do gênero –, e no fim vai acabar passando batido mesmo.

3. O Melhor Filme nem sempre é o melhor filme

Isso já é obvio desde que a lista de indicados é anunciada, e muita coisa bacana fica de fora. E a Academia raramente surpreende – o prêmio sempre vai para um dos favoritos. Foi o caso de ontem. “Birdman” era um filme típico de Oscar: bem realizado tecnicamente, com proposta narrativa ousada, e que fala sobre o universo do espetáculo.

O Oscar adora metalinguagem. É só pegar outros exemplos de vencedores recentes, como “O Artista” e “Argo”. Mas se você concorda que “Birdman” não merecia o prêmio justamente por ser redondinho demais para agradar à Academia, lembre-se de que nem sempre ganhar Melhor Filme torna uma produção inesquecível. O clássico indiscutível “Apocalipse Now” perdeu o Oscar para “Kramer vs. Kramer”. “Uma Mente Brilhante” levou Melhor Filme concorrendo com “Moulin Rouge” e o primeiro “O Senhor dos Anéis”, e hoje em dia ninguém mais se lembra dele (com razão).

Coisa parecida aconteceu com o recente “O Discurso do Rei”, que apesar de razoável, tirou a chance de filmes mais relevantes como “Cisne Negro” e “A Rede Social”. E isso sem falar na maior incoerência dos últimos anos: o descartável “Crash” tirando o Oscar de “Brokeback Mountain”. Então, não se desespere caso alguém diga que você tem que amar “Birdman” só porque ele ganhou o prêmio.

4. Sim, a Academia continua sendo careta e tradicional

“Já vi isso antes”. Não foi só o Melhor Filme que confirmou a falta de novidade nos prêmios. Desde o anúncio dos indicados do ano, a Academia vinha provando que continua a mesma. O prêmio para Julianne Moore é indiscutivelmente merecido, mas pode também ser encarado como um “ela é ótima, vamos dar logo um Oscar pra ela”. O mesmo aconteceu antes com Reese Witherspoon e Kate Winslet, entre outros. Eddie Redmayne também fez um trabalho incrível em “A Teoria de Tudo”, mas só comprovou que o Oscar gosta mesmo de atores que se transformam fisicamente, mudam o visual, ficam irreconhecíveis.

Já vimos isso antes, com Charlize Theron (“Monster”), Daniel Day-Lewis (“Meu Pé Esquerdo”), Matthew McConaughey (“Clube de Compras Dallas”), etc. A Academia também adora um “come back” ao cenário cinematográfico, e Patricia Arquette (“Boyhood”) esteve lá para provar isso.

E, para terminar, vimos mais uma vez a Academia querer parecer democrática, premiando todos os indicados a melhor filme com pelo menos uma estatueta. “O Grande Hotel Budapeste” e “Whiplash” lideraram os prêmios técnicos, mas teve espaço para todo mundo: “Selma” levou melhor canção, “Sniper Americano” a melhor edição de som, “A Teoria de Tudo” o melhor ator, “Birdman” a direção e o roteiro original (blé!), “O Jogo da Imitação” o roteiro adaptado, e “Boyhood”, que prometia muito, ficou só na atriz coadjuvante.

Então é isso. Ano que vem tem mais decepções, reclamações, injustiças e, no meio disso tudo, uma ou outra boa surpresa, alguns discursos bacanas e alguns prêmios merecidos.

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