2017 foi um péssimo ano para a representação LGBTQ no cinema

2017 foi um péssimo ano para a representação LGBTQ no cinema

O ano passado nos deu bons filmes, como “Me Chame Pelo Seu Nome” e “Uma Mulher Fantástica”, mas foi também um período muito ruim para a representação LGBTQ no cinema. É o que afirma o relatório anual da GLAAD, organização que monitora a representação de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans na mídia dos Estados Unidos.

O levantamento da GLAAD, chamado de “Índice de Responsabilidade do Estúdio”, mede a quantidade, qualidade e diversidade dos personagens LGBTQ em Hollywood, e trouxe resultados decepcionantes em 2017 em comparação a 2016. No último ano, houve uma queda na quantidade de filmes inclusivos: de 23, eles foram para 14 (12,8%), quase 10 produções a menos (5,6% de queda). A  quantidade é a mesma verificada no ano de 2012, ano em que a organização começou a fazer essa pesquisa.

Isso significa que, em 6 anos, os grandes estúdios não fizeram muitos esforços para apresentar personagens lésbicas, gays, bissexuais ou trans em suas narrativas. Aliás, não houve nenhum grande filme com uma personagem transgênera.

Foram avaliados 109 produções dos seguintes estúdios: 20th Century Fox, Lionsgate Entertainment, Paramount Pictures, Sony Pictures, Universal Pictures, The Walt Disney Studios e Warner Brothers. A classificação de cada um ficou:

Falhos:

  • Lionsgate (de 19 filmes, apenas 2 tinham personagens LGBTQ);
  • Warner Brothers (de 18 lançamentos, somente 2 tinham personagens LGBTQ).

Pobres:

  • Paramount (de 11 produções, só 2 tinham personagens LGBTQ);
  • Sony (de 25 filmes, apenas 1 tinha personagens LGBTQ);
  • Walt Disney (de 8 lançamentos, somente 1 tinha algum personagem LGBTQ).

Insuficientes:

  • 20th Century Fox (de 14 filmes, só 2 tinham personagens LGBT);
  • Universal (de 14 produções, apenas 4 tinham personagens LGBTQ).

Além deles, também foram examinados 4 pequenos estúdios: Focus Features, Fox Searchlight, Roadside Attractions e Sony Pictures Classics. Foram elogiados os filmes “Uma Mulher Fantástica” e “Me Chame Pelo Seu Nome” (ambos da Sony Pictures Classics), por apresentarem personagens trans e gays de maneira positiva, e cujas narrativas são representações apuradas do que é ser LGBTQ.

Foram 28 personagens em 2017, contra 70 em 2016 (14 deles vieram do musical “Popstar: Sem Parar, Sem Limites”) e 47 em 2015. Homens gays continuam ganhando mais espaço para contar suas histórias (64% dos personagens) do que lésbicas (36%) e bissexuais (14%). A GLAAD criticou a falta de personagens trans no cinema mainstream, pois nenhum foi apresentado no último ano pelos grandes estúdios.

“Essa é uma queda do único personagem trans apresentado por um grande estúdio em 2016, que era o personagem de Benedict Cumberbatch em ‘Zoolander 2’. E mesmo assim, aquele personagem funcionava como piada e não representava a comunidade LGBT. Dito isso, 2017 não foi cinematograficamente progressista como nós achávamos”, diz o relatório assinado pela presidente da organização, Sarah Kate Ellis.

A maioria dos personagens ainda é branca (43%), mas houve um aumento de personagens LGBTQ de minorias étnicas: 28,5% dos personagens eram negros e o mesmo percentual foi encontrado entre latinos. Ou seja 57% de todos os personagens do ano passado eram de minorias étnicas. Infelizmente, nenhum deles era asiático.

Com um cenário não tão bom, a GLAAD pede aos estúdios para que aumentem a quantidade e a qualidade dos personagens LGBTQ nos próximos anos. Ela pede que até 2021, pelos menos 20% dos lançamentos de cada estúdio tenha personagens que se identifiquem como lésbicas, gays, bissexuais e trans. Até 2024, ela pede que esse percentual chegue a 50%.

“Se Hollywood quer se manter relevante com o público e fazê-lo comprar ingressos, é preciso criar histórias que reflitam o mundo que pessoas LGBTQ e seus amigos conhecem”, conclui o relatório, o qual aponta uma melhoria em 2018, com os lançamentos de “Com Amor, Simon”, “Aniquilação” e “Não Vai Dar”.

Leia o “Índice de Responsabilidade do Estúdio” na íntegra aqui.