Entre 2015 e 2016, mulheres dirigiram apenas 17% dos episódios das séries de televisão

13. setembro 2016 Televisão 0
Entre 2015 e 2016, mulheres dirigiram apenas 17% dos episódios das séries de televisão

O Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos (Director’s Guild of America) lançou ontem (12) seu anual relatório sobre diversidade na indústria televisiva. O intuito é saber quem trabalhou atrás das câmeras nas nas 299 séries (exceto reality shows e competições) que foram ao ar na temporada 2015-2016 pelos canais de televisão aberta, fechada e serviços de streaming (Netflix, Hulu, Amazon).

Segundo o levantamento do DGA (sigla em inglês), foram produzidos 4.061 episódios, 4% a mais em comparação a 2014-2015. As mulheres dirigiram 17% do total (702 episódios), o que representa um aumento de 1% em relação ao último ano (85 episódios a mais) em que a pesquisa foi feita. O número de mulheres diretoras subiu 23% (183) em comparação ao último ano, quando 149 delas tinham a mesma função. Apesar do aumento, 83% de todos os episódios lançados foram dirigidos por homens.

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Minorias étnicas ocuparam a cadeira de diretor em 19% dos episódios (783), um aumento de 1% em relação a 2014-2015 (89 episódios a mais). Diretores brancos, por sua vez, dirigiram 81% do total.

Dividindo por gênero, mulheres brancas foram as diretoras de 14% dos episódios, ao mesmo tempo em que homens de minorias étnicas foram 16%. Mulheres de minorias étnicas encontraram o menor espaço: somente 3%.

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No geral, embora o percentual de homens brancos tenha caído de 69% para 67%, com o número maior de episódios, também aumentou o número deles atrás das câmeras: de 2.714 para 2.717.

O Sindicato dos Diretores também fez um ranking com os estúdios de televisão, plataformas de distribuição e de streaming que mais contrataram mulheres e minorias. Entre os estúdios, a CBS ficou em primeiro lugar, com 41% dos 357 episódios dirigidos por essas pessoas. Em último lugar ficou a HBO, que teve apenas 22% dos 144 episódios de suas séries dirigidos por mulheres e minorias.

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Já nas plataformas de distribuição, classificadas como emissoras abertas, canais a cabo básico, cabo premium e streaming, quem liderou a contratação de mulheres foram os canais abertos, com 20%, seguidos pelo streaming, com 17%. Já na contratação de minorias étnicas, quem saiu na frente foram os canais a cabo básico, com 24%, e em seguida os canais abertos, com 19%. As plataformas de streaming ficaram em último lugar nessa avaliação (8%).

“Esses números jogam uma luz sobre a falta de progresso real dos empregadores nessa indústria, simples assim. Uma preocupação particular é o crescimento rápido na categoria de vídeos de streaming”, disse o presidente do DGA, Paris Barclay. “Há uma longa estrada pela frente no que diz respeito à mudanças a serem feitas. […] Os empregadores precisarão implementar novas práticas de contratação, desde conseguir mais pessoas e entrevistar candidatos mais diversos, até contratar diretores mais experientes, em vez de entregar esses cargos para colegas”.

Vale lembrar que uma agência federal americana abriu uma investigação no ano passado contra Hollywood, a fim de averiguar como funcionam as contratações na indústria, já que o número de mulheres trabalhando como diretoras tanto no cinema quanto na televisão são muito baixos.

“As diretoras não estão trabalhando em condições de igualdade e não têm as mesmas oportunidades de sucesso. Discriminação por gênero é ilegal e Hollywood não está imune quando se trata de direitos civis e discriminação de gênero”, contou Melissa Goodman à Variety no ano passado. Ela é diretora do Projeto de Justiça Reprodutiva, Gênero e LGBT da ONG American Civil Liberties Union (ACLU), do sul da Califórnia.

Mais quais são as séries que tiveram mais mulheres trabalhando atrás das câmeras? Para ser classificada como “melhor”, o seriado precisa ter pelo menos 40% dos episódios dirigidos por mulheres e minorias. Já os “piores” precisam ter menos de 15% dos episódios dirigidos por mulheres (30 atrações não contratam qualquer mulher ou minoria étnica como diretor).

Melhores:

  1. Being Mary Jane – 100%
  2. The Game -100%
  3. Heartbeat – 100%
  4. Zoe Ever After – 100%
  5. The Soul Man – 92%
  6. American Crime – 90%
  7. From Dusk till Dawn: The Series – 90%
  8. Greenleaf – 85%
  9. Transparent – 80%
  10. Jane the Virgin – 77%
  11. Black-ish – 75%
  12. Last Man Standing – 73%
  13. Uncle Buck – 71%
  14. Truth Be Told – 70%
  15. Married – 69%
  16. 12 Monkeys – 67%
  17. Empire – 67%
  18. Crazy Ex-Girlfriend – 65%
  19. Fresh Off the Boat – 63%
  20. The Middle – 63%

Piores:

  1. 1/22/63 – 0%
  2. Aquarius – 0%
  3. Benders – 0%
  4. Berlin Station – 0%
  5. Blunt Talk – 0%
  6. The Detour – 0%
  7. Dice – 0%
  8. Difficult People – 0%
  9. Fargo – 0%
  10. Galavant – 0%
  11. Game Shakers – 0%
  12. Graves – 0%
  13. Henry Danger – 0%
  14. Heroes Reborn – 0%
  15. Idiotsitter – 0%
  16. Impastor – 0%
  17. Into the Badlands – 0%
  18. It’s Always Sunny In Philadelphia – 0%
  19. Longmire – 0%
  20. Man Seeking Woman – 0%
  21. Marco Polo – 0%