16 filmes que discutem a persistente violência contra a mulher

25. novembro 2016 Cinema 1
16 filmes que discutem a persistente violência contra a mulher

“Durante os 16 dias de ativismo na luta contra a violência à mulher, blogs envoltos pelo #feminismonerd, se propuseram a discutir as problemáticas em torno da representação de mulheres como uma matriz que reitera os discursos de violência e ódio, quanto veículos que visibilizam a discussão. Sabemos que, apenas a exposição e discussões possibilitam o combate direto, a resolução e identificação do problema. Como reitera a escritora e teórica feminista Audre Lorde : é preciso transformar o silêncio em linguagem e ação”.

O dia 25 de novembro é conhecido como o Dia Internacional de Luta pelo Fim da Violência Contra a Mulher. A data foi definida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, em homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, assassinadas pela ditadura de Rafael Leónidas Trujillo, na República Dominicana, em 1960.

Como sabemos, a violência contra a mulher ocorre em todo o mundo: em vários países, meninas são vendidas ou forçadas ao casamento; não têm acesso à educação; muitas são obrigadas a abandonar os estudos para poder ajudar suas famílias; outras tantas sequer têm acesso à higiene. E não vamos nos esquecer da violência doméstica, estupro, assédio, falta de garantia de aborto seguro, e direitos e salários desiguais. E quando pensamos em mulheres lésbicas, bissexuais e trans, muitas sequer são vistas como “mulheres de verdade”. Ou seja, as agressões contra as mulheres vêm de diversas formas.

A partir da data de hoje, acontece uma campanha da ONU pelo fim da violência de gênero, que dura 16 dias, e acaba no dia 10 de dezembro, data que marca a Declaração Universal dos Direitos Humanos, feita em 1948.

Para refletirmos sobre a questão, separei 16 filmes que lidam com o tema:

“Vidas Partidas”:

O filme brasileiro mostra a realidade de muitas mulheres: a violência que acontece dentro de casa. Graça (Naura Schneider) é casada com Raul (Domingos Montagner), homem pelo qual se apaixonou, mas que se mostrou violento depois do casamento. Depois de ser cruelmente agredida, ela começa uma luta para vê-lo preso. A história se passa na década de 80, muitos anos antes da criação da Lei Maria da Penha.

“Um Céu de Estrelas”:

Primeiro filme de Tata Amaral, “Um Céu de Estrelas” traz Dalva (Leona Cavalli), que trabalha como cabeleireira em São Paulo, e tem um relacionamento com o violento Victor (Paulo Vespúcio). Quando rompe com ele, a moça vê sua chance de mudar de vida, após ganhar um concurso, cuja final será em Miami. Porém, quando o ex descobre tudo, ele tenta impedir que ela vá embora.

“Acusados”:

Jodie Foster ganhou um Oscar por sua atuação como Sarah, uma mulher que é vítima de estupro coletivo, e que luta para ver os criminosos na cadeia. Contudo, não é uma briga fácil, já que ela e sua advogada precisam vencer um sistema que insiste em culpar a mulher pela violência que sofreu. O filme é de 1988, mas esse tipo de situação ainda é, infelizmente, muito comum em 2016.

“The Hunting Ground”:

O documentário mostra um crime mais comum do que se imagina: o estupro de mulheres dentro das universidades americanas, que são encobertados pelas próprias instituições, as quais têm medo de perder fundos do governo e estudantes caso as as histórias se tornem públicas. O filme foi indicado ao Oscar pela música “Till It Happens To You”.

“Preciosa”:

A indicada ao Oscar, Gabourey Sidibe, dá vida à Claireece Jones Precious, uma garota negra, gorda e analfabeta, que sofre constantes abusos de sua mãe, além de ter sido estuprada por seu próprio pai. É uma triste história, que pode vir a tomar outro rumo quando ela vai para uma escola diferente.

“Dormindo com o Inimigo”:

Em “Dormindo com o Inimigo”, Julia Roberts é Laura, uma mulher que tenta recomeçar a vida após fugir de seu ex-marido, o qual ela descobriu ser um homem controlador e violento após o casamento. Porém, ele não descansa até descobrir o paradeiro da ex-esposa.

“Flor do Deserto”:

“Flor do Deserto” conta a história real da modelo Waris Dirie. Nascida na Somália, aos 13 anos ela foi vendida por sua família para casar com um homem muito mais velho que ela. A garota fugiu até uma cidade onde parentes que a acolheram enviam-na para Londres, na Inglaterra. Lá, ela trabalha como faxineira até ser descoberta por um fotógrafo. Sua vida muda radicalmente, e descobre-se que ela foi vítima de uma prática cruel em seu país: a mutilação genital feminina. Ela então luta contra essa prática  e torna-se embaixadora da ONU.

“Clandestinas”:

“Clandestinas”, documentário de Renata Correa, traz depoimentos de mulheres reais que abortaram clandestinamente. Os relatos são interpretados por atrizes, e chamam a atenção para a proibição do aborto no Brasil, que só é permitido em caso de estupro, risco de morte para a mãe e de fetos com anencefalia.

“Histórias Cruzadas”:

Embora “Histórias Cruzadas” seja mais um filme sobre negros sendo salvos por uma pessoa branca, o filme mostra a dura realidade das mulheres negras, as quais não tinham outra escolha a não ser cuidar dos filhos de suas patroas e serem empregadas domésticas. Difícil não traçar um paralelo com os tempos atuais, quando negras ainda lutam para serem reconhecidas como sujeitos.

“Elise”:

O documentário “Elise”, da dupla Jo Bradlee e Evan Sterrett, traz depoimentos de Elise, mulher trans que foi expulsa de casa pela mãe aos 16 anos e já morou na rua. Ainda sobre o tema, no começo do ano, listei séries e filmes sobre pessoas trans para você também assistir.

“O Renascimento do Parto”:

O filme foca na violência obstétrica, a qual mulheres e bebês são submetidos. O Brasil lidera o ranking mundial de cesáreas, muitas feitas sem necessidade. As consequências disso, segundo o documentário são “o aumento da pré-maturidade, enfraquecimento do vínculo materno-infantil, crescimento do desmame precoce e da depressão pós-parto, dentre outros”.

“Terra Fria”:

Em “Terra Fria”, Charlize Theron é Josey Aimes, uma mulher que começa a trabalhar em uma mina de ferro. Ela e outras mulheres são assediadas frequentemente pelos homens com quem dividem as funções. Ela leva a situação aos seus superiores, que não levam suas reclamações a sério. Ela então decide levar o caso à Justiça americana. A história é real e o processo foi a primeira ação coletiva por assédio sexual dos Estados Unidos.

“Revolução em Dagenham”:

O filme inglês se passa na Inglaterra de 1968, e conta a história das funcionárias da Ford que entraram em greve na fábrica de Dagenham. Ela e outras mulheres reivindicavam melhores condições de trabalho e o mesmo salário dos homens.

“O Silêncio das Inocentes”:

O documentário brasileiro narra como funciona a aplicação da lei Maria da Penha no Brasil. Ela entrou em vigor em 2006, depois de uma exaustiva batalha feita pela farmacêutica Maria da Penha, que foi agredida e quase morreu pelas mãos do ex-marido.

“O Apedrejamento de Soraya M”:

O filme conta uma realidade em alguns países: o apedrejamento de mulheres acusadas de adultério. No caso de Soraya, seu marido mentiu, acusando-a de traição, quando na verdade ela era abusada pelo homem, o qual queria se casar com uma mulher muito mais nova. “O Apedrejamento de Soraya M” é baseado no livro do jornalista Friedoune Sahebjam.

“As Sufragistas”:

“As Sufragistas” foi lançado no ano passado, e mostra a luta das mulheres britânicas para ter o direito ao voto. Não foi nem de longe uma briga fácil: muitas das mulheres foram perseguidas, agredidas, presas  e mortas na época.

BLOGS QUE PARTICIPAM DESTA AÇÃO COLETIVA:

Momentum Saga

Collant Sem Decote

Nó de Oito

Delirium Nerd

Vanilla Tree

Preta, Nerd & Burning Hell

Ideias em Roxo

Psicologia & Cultura Pop

Minas Nerds

Iluminerds

Kaol Porfírio

Valikírias

Pac Mãe.


1 thought on “16 filmes que discutem a persistente violência contra a mulher”

  • 1
    Sybylla on 25/11/2016 Responder

    Dormindo com o Inimigo é um filme que sempre me perturbou muito. Especialmente de ver ela ter que sorrir quando ele chega com flores e lingerie como se não tivesse espancado a esposa.

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