11 histórias que explicam por que representatividade importa

20. julho 2016 Cinema 0
11 histórias que explicam por que representatividade importa

Provavelmente chegou no seu feed do Facebook um vídeo de uma entrevista de Leslie Jones no programa americano “The View”, onde ela conta o quão importante foi para ela, uma mulher negra, ver na televisão outra mulher negra quando ainda era uma menina.

Ao ver Whoopi Goldberg na TV, ela disse ao pai, o qual foi uma grande influência em seu gosto pela comédia: “Oh, meu Deus! Tem alguém na televisão que se parece comigo! Ela parece comigo, pai! Eu posso aparecer na TV, eu posso fazer isso, olhe para ela! Parece comigo!”

Anos depois, Leslie Jones se tornou uma grande comediante, com trabalhos na TV e, agora, no cinema. “Eu só queria agradecer, do fundo do meu coração, porque hoje eu sei o que eu estou fazendo”, ela disse a Whoopi. “Sei que quando eu coloco a roupa das caça-fantasmas e uma garotinha me vê na TV, ela pode falar: ‘Eu posso fazer isso!’ E foi você que me deu isso e eu te amo. Eu te amo pelo que você fez pelas mulheres negras. Te amo pelo que você fez pelos comediantes negros. E eu te amo.”

Essa é mais uma história que explica por que a representatividade é importante: ela não só permite que possamos sonhar e criar novas possibilidades para nossas vidas, como também ajuda a entender quem somos e cria aquele sentimento de pertencimento, afinal, você agora é visível e vê que faz parte de uma comunidade e da sociedade.

É importante ver mulheres, negros, indígenas, LGBTs, pessoas com deficiência e outros grupos ocupando mais espaços, inclusive na mídia, que falha em representar essas pessoas em toda sua complexidade. Ou excluindo-as totalmente da narrativa.

Por isso foi importante ver Viola Davis ganhando um prêmio Emmy ou Mya Taylor, uma atriz trans, sendo premiada no Spirit Awards. Ambas são exemplos de mulheres que foram historicamente jogadas à margem da sociedade, mas que conseguiram superar os desafios impostos por um sistema excludente, e hoje dão visibilidade a mulheres como elas e ainda são capazes de inspirá-las a não desistirem de seus objetivos.

Abaixo você confere outras 10 histórias que explicam a importância da representatividade:

Matias e John Boyega:

Legenda: “Um momento para ser grato. Do que você segura em sua mão ao potencial em sua mente, você é um rei, meu jovem”.

Matias é um garotinho brasileiro que não conhecia “Star Wars”, contudo, quando foi a uma loja de brinquedos com sua mãe, logo viu um boneco igual a ele na estante. Era Finn, personagem do ator John Boyega, do filme mais recente da franquia. O menino não teve dúvidas de qual brinquedo queria levar para casa. “Ele nem sabe ainda o que é Star Wars, mas sabe que o boneco é igual a ele”, escreveu Jaciana, mãe dele, em uma foto que foi postada nas redes sociais e compartilhada por milhares de pessoas.

AO UOL, Matias disse que gostou de Finn porque “ele é pretinho igual a mim”. A mãe lembrou que era difícil comprar bonecas iguais a ela quando era criança, pois não havia tantas opções. Isso mudou para seu filho, que realizou o sonho de se ver em um brinquedo. “Meu filho consegue se ver nele assim como qualquer garotinho branco consegue se ver em outros personagens. Tem espaço para todo mundo”.

Turma da Mônica negra:

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Em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, o estudante Cleidison, do 5º ano da Escola Municipal Professora Irene da Silva Oliveira, resolveu fazer um “protesto”: ao ver em sua prova, mais uma vez, desenhos de personagens que não o representam, o garoto os pintou da sua cor.

A professora, Joice Oliveira, ficou emocionada com a atitude do garoto e foi ao Facebook publicar a foto da manifestação de seu aluno. “Todo bimestre tem votação na minha sala para escolher a capa da prova. A capa desta vez foi da Turma da Mônica. Meu aluno Cleidison me entrega a capa da prova me avisando: ‘Pintei da minha cor, tá? Cansei desses desenhos diferentes de mim’. Recado dado”, postou Joice.

A imagem foi compartilhada e ganhou a atenção de Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica. “O menino Cleidison tem razão a partir de sua visão do mundo e do meio. Por que os personagens das historinhas que ele lê não têm a mesma cor de sua pele?”, disse o cartunista ao jornal Extra. “E corajosamente ele os traz mais para perto de si e dos seus colegas afrodescendentes simplesmente usando lápis de cor. Saída criativa e carinhosa. Ele não excluiu os personagens. Ele os trouxe para seu meio”.

Whoopi Goldberg e Nichelle Nichols, a tenente Uhura de “Star Trek”:

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Sentimento parecido ao de Leslie Jones viveu Whoopi Goldberg quando criança. É seguro dizer que ela sabe bem o quanto a representatividade importa. Quando pequena, ela assistia “Star Trek”, que contava com a tenente Uhura, vivida pela atriz Nichelle Nichols. Na época em que assistia à série de televisão, na década de 60, ela viu uma mulher negra como ela, algo que foi fundamental para que ela seguisse a carreira artística.

“Quando eu tinha 9 anos de idade, ‘Star Trek’ estreava. Eu olhei e saí gritando pela casa: ‘Vem, mãe, todo mundo, venham rápido. Há uma mulher negra na televisão e ela não é a empregada!’ Eu soube desde então que eu podia ser o que eu quisesse”.

Ellen Page e “Freeheld”:

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Ellen Page é assumidamente lésbica e é uma das protagonistas do drama “Freeheld”, filme que reconta a história real de Laurel Hester (Julianne Moore), uma policial que tinha um câncer terminal nos pulmões, e que estava impedida de passar à sua parceira, Stacie Andree (Ellen), a pensão a qual tinha direito, pois ela não era casada com um homem, já que o casamento homoafetivo não era permitido no Estado de Nova Jersey.

O longa lançado no ano passado é baseado no documentário de mesmo nome, o qual a atriz assistiu e a levou às lágrimas. Ellen, que também milita pelos direitos da comunidade LGBT, contou para a revista Entertainment Weekly como foi a sensação de interpretar uma mulher como ela e como Laurel e Stacie foram importantes em sua vida.

“Gravar um filme logo após eu me assumir foi uma das maiores alegrias que eu já tive num set de filmagem, o que é complicado de dizer, porque essa é uma história trágica. Mas o sentimento de estar fora do armário e interpretar alguém que é gay, e cuja coragem permitiu que eu vivesse minha vida, é maravilhoso. Pessoas como Laurel e Stacie são a razão pela qual eu sou tão feliz agora”.

“Cada Um Na Sua”:

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“Cada Um Na Sua”, lançado em abril do ano passado, foi a primeira animação da DreamWorks a ter uma protagonista negra. A história se passa na Terra, que foi invadida por um povo alienígena, os Boovs, os quais realocam todos os humanos em um canto, para que possam viver em todo o planeta. A menina Tip (Rihanna) consegue evitar ser capturada e se torna amiga de um dos aliens, Oh (Jim Parsons), que é fugitivo do seu próprio povo. Juntos, eles partem em uma jornada para encontrar a mãe de Tip e restaurar as relações intergalácticas.

O filme estreou em seu final de semana faturando US$ 54 milhões (R$ 175 milhões) nos Estados Unidos, o que foi algo bom para a DreamWorks, que há tempos não liderava as bilheterias nos lançamentos de suas produções, e foi uma vitória para a diversidade, afinal, filmes protagonizados por mulheres negras são tão poucos, e é ótimo que um longa desses saia bem, afinal, não só permite que mais obras similares sejam lançadas, como “essa representatividade na mídia é importantíssima para a autoafirmação e o autorreconhecimento das crianças”, escreveu a Jarid Arraes no Questão de Gênero.

Lupita Nyong’o e Oprah Winfrey:

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Em dezembro de 2014, Lupita Nyong’o foi capa da revista Glamour americana, para a qual deu uma entrevista em que diz o quão importante foi o papel da apresentadora de televisão Oprah Winfrey em sua vida.

“Oprah foi fundamental para o meu entendimento do que era ser mulher e realmente abraçar o seu poder. Eu nem diria que ela foi um exemplo, ela foi, literalmente, meu ponto de referência. Você tem o dicionário, você tem a Bíblia e você tem a Oprah”.

Hoje, Lupita é que é um exemplo de representatividade para as mulheres negras. Também em 2014, ela falou sobre a representatividade, contando o caso de uma menina que evitou clarear sua pele após vê-la no cinema e sobre as mensagens que recebia da mídia por conta de sua pele negra.

“Eu ligava a TV e só enxergava pele pálida, fui provocada e insultada sobre o tom da minha pele cor de noite. E a minha única oração a Deus, o milagreiro, era que eu acordasse de pele mais clara. […]. Quando eu era adolescente, meu auto-ódio cresceu […]. E então… Alek Wek. Uma modelo célebre, ela era escura como a noite, ela estava em todas as passarelas e em todas as revistas e todo mundo estava falando sobre como ela era bonita. Até Oprah a achava bonita e fez disso fato. Eu não podia acreditar que as pessoas estavam abraçando uma mulher que parecia muito comigo, tão bonita. Minha pele sempre foi um obstáculo a ser superado e, de repente, Oprah estava me dizendo que não era”.

Para ler todo o discurso, clique aqui.

Laverne Cox e a garotinha transgênera de 7 anos:

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Laverne Cox é uma das estrelas de “Orange Is The New Black” e fez história ao ser a primeira mulher trans a ser capa da revista TIME e a receber uma indicação ao Emmy Awards. Graças ao papel na série e ao seu ativismo, as pessoas trans conquistaram um espaço de visibilidade maior na mídia, que começa a tratar mais os assuntos que envolvem esses indivíduos.

A figura da atriz é muito importante para o autorreconhecimento de pessoas como ela, como foi o caso de M., uma menina trans que conheceu Cox em um evento. A mãe da garota contou como foi o encontro das duas no Facebook.

“‘Bem, olá’ – disse Laverne.
‘Eu sou M.’ – minha filha disse.
Laverne sorriu pra ela: ‘Olá M.’
‘Eu sou trans’ – disse M.

Laverne ficou meio perdida, a multidão em volta comentando (‘você viu o que aquela menina disse?’). Laverne olhou ao redor da sala e perguntou: ‘Tem alguém com ela?’

Dei um passo pra frente: ‘Eu sou a mãe dela’. Fiquei totalmente travada e esqueci como um ser humano normal fala. Não tenho ideia do que eu disse.

Mas M. sabia o que fazer. Ela foi direto dar um abraço em Laverne, que agachou-se ao nível dos olhos de M. para conhecê-la. Ouvi o que ela disse à minha filha: ‘Lembre-se querida, ser trans é lindo'”.

Daisy Ridley:

Tradução: “Isso foi, literalmente, a coisa mais fofa que eu já vi. Sair de um voo e ser recepcionada por essa pequena Rey foi a melhor coisa! Eu nunca vou me cansar de ver isso”.

Assim como o pequeno Matias tem John Boyega para se espelhar, meninas no mundo todo podem se inspirar em Rey, personagem de Daisy Ridley, de “Star Wars”. Isso porque ela é uma das heroínas do filme. Finalmente estamos permitindo que as garotas e mulheres possam se ver no comando, salvando uma galáxia inteira e não precisando de um homem para completar suas vidas.

Melissa Benoist, a Supergirl, e as pequenas super-heroínas:

The Super Girl Scouts of Oklahoma dropped by National City today… #girlscouts

A photo posted by Melissa Benoist (@melissabenoist) on

Melissa Benoist dá vida a Kara Zor-El, a Supergirl do seriado de mesmo nome. Enquanto o cinema ainda não apresentou qualquer filme solo de uma super-heroína, a televisão deu alguns passos e hoje temos “Supergirl” e “Jessica Jones” (tínhamos a Agente Carter, mas a série foi cancelada).

Há quase um ano, Melissa encontrou um grupo de escoteiras mirins de Oklahoma, todas vestidas a caráter, mostrando que também são capazes de salvar o mundo. Segundo o artigo da Entertainment Weekly, essas meninas inventaram um aparelho que vira páginas de livros e revistas. Ele foi feito a partir de peças de LEGO e funciona através de pilhas. O dispositivo foi desenvolvido especialmente para pessoas com artrite e paralisia. Vai falar que elas não são verdadeiras heroínas?

Até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconheceu o talento delas! You go, girls!

“Caça-Fantasmas”:

Foto: Eric Charbonneau / AP
Foto: Eric Charbonneau / AP

O reboot de “Caça-Fantasmas”, que agora é todo protagonizado por mulheres, foi muito criticado por adultos que não aprenderam que cresceram, os quais afirmavam que o filme “arruinaria suas infâncias”. Não, o longa não vai destruir as doces memórias de ninguém. Na verdade, ele está tornando a infância de uma nova geração mais alegre e divertida.

Acho que a imagem acima resume tudo.


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