10 cantoras que inspiram

08. Março 2018 POP 0
10 cantoras que inspiram

Hoje é Dia Internacional da Mulher, data que lembra a luta feminina por seus direitos. Mais do que nunca, o feminismo tem pautado a mídia e levado cada vez mais pessoas a refletir sobre a desigualdade de gênero e como adotar medidas para combatê-la.

As celebridades têm feito parte dessa conversa, seja denunciando casos de assédio, como foi o caso de diversas atrizes de cinema e da televisão; seja contribuindo com causas e projetos que visam dar apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade; seja chamando a atenção do público para questões que precisam ser discutidas.

A seguir, listei 10 cantoras que têm se destacado na mídia, não apenas por seus trabalhos artísticos, mas também por seu engajamento em causas sociais. É importante dizer que esse não é um ranking definitivo: pode ser que sua artista preferida não esteja aqui, mas isso não significa que ela não seja inspiradora. Essa lista é pessoal e pode não corresponder com o que você pensa. Portanto, use a caixa de comentários para compartilhar quem são as suas cantoras inspiradoras.

Rihanna:

Rihanna é aquela amiga que todo mundo queria ter por perto. Uma das maiores artistas pop dos últimos tempos, Riri é um exemplo de trabalho duro em cima e fora dos palcos. No ano passado, por exemplo, ela recebeu da Universidade de Harvard o título de Ativista do Ano, em reconhecimento ao trabalho humanitário que ela possui em sua terra natal, Barbados.

Mas isso não é tudo, a voz de “Work” também possui uma linha de maquiagem que contempla uma enorme variedade de tons de pele, e briga pela educação das crianças no mundo. No começo do ano, Rihanna mandou uma série de tweets a diversos líderes mundiais, questionando se os países iriam se comprometer com a causa. Em fevereiro, ela se encontrou com o presidente da França, com o qual ela conversou sobre o tema. 

“Nós conversamos sobre a educação em todo o mundo”, disse a artista. “Teremos grandes anúncios para setembro e vamos fazer mais na África em outubro”, disse a artista. “Este é o ano da educação.”

Katy Perry:

Talvez, Katy Perry não seja exatamente o seu tipo de pessoa que inspira. Ela, que já disse uma vez que não era feminista, mas que acreditava na “força das mulheres”, é dona do hit “I Kissed a Girl”, música acusada de trivializar a experiência de mulheres bissexuais e lésbicas, também tem em sua carreira a problemática “Ur So Gay”, e até já teve problemas com apropriação cultural no passado.

Então, como exatamente ela pode ser uma mulher inspiradora? É que em tempos recentes, a cantora decidiu escutar as críticas e trocar suas crenças e forma de agir, aprendendo mais sobre apropriação cultural, afirmando que mudaria a letra de “I Kissed a Girl”, apoiando iniciativas femininas e LGBT, e até declarando-se uma feminista orgulhosa. Sempre é tempo de mudar, né?

Lady Gaga:

Desde que estourou na música pop em 2008, Lady Gaga se tornou um símbolo de luta e aceitação da comunidade LGBT. Abertamente bissexual, a cantora já realizou diversos discursos, nos quais transmite seu amor e carinho pelos fãs gays, lésbicas, bissexuais e trans, como também pede proteção e direitos iguais a eles. Ela também tem em seu currículo “Born This Way”, um dos maiores hinos LGBT já lançados, e que levou a palavra “transgênero” pela primeira vez ao topo das paradas americanas.

Desde 2011, a Mother Monster mantém a Born This Way Foundation, organização que auxilia jovens LGBT e faz um trabalho voltado à saúde mental. E isso não é tudo: desde 2015, Lady Gaga vem promovendo uma série de conversas envolvendo abuso sexual, transtorno de estresse pós-traumático e fibromialgia, doença que a fez cancelar sua apresentação no Rock in Rio e na Europa.

Beyoncé:

Beyoncé é um dos maiores nomes da música pop – e não é para menos. A cantora possui uma longa carreira na música, que começa desde o Destiny’s Child até hoje, cantando sozinha. Colecionadora de prêmios Grammy (exceto Álbum do Ano, já que a premiação parece não gostar de mulheres negras), a cantora é um verdadeiro ícone feminino, e isso ficou ainda mais acentuado depois de sua apresentação no VMA, quando ela surgiu em frente a um telão que dizia: feminista.

No álbum que leva seu nome, lançado de surpresa no final de 2013, Queen Bey canta sobre feminismo (“Flawless”), padrões de beleza (“Pretty Hurts”), maternidade (“Blue”) e sexo oral (“Blow”), levando mensagens de reflexão aos seus fãs. Depois disso, a voz de “Formation” fez um álbum visual inteiro sobre as experiências das mulheres negras nos Estados Unidos, o aclamado “Lemonade”), se manifestou contra a violência policial e o racismo.

Alessia Cara:

Alessia Cara pode estar apenas começando a sua carreira, mas isso não significa que ela já não seja um exemplo. A cantora canadense foi uma das poucas mulheres vencedoras do Grammy neste ano, e quer que você saiba que ela é feminista. E que você deveria ser também.

“Eu sou feminista e se você não é ainda, você está atrasado e sua mentalidade precisa mudar”, disse Alessia à revista Newsweek

A artista diz que é introvertida e tem por costume se apresentar sem maquiagem, como é possível perceber em diversas de suas performances na internet. Para ela, é importante que meninas e mulheres possam se ver como são e gostarem de si exatamente assim, sem precisar de alterações de imagens ou maquiagem para cobrir suas imperfeições. Um bom exemplo disso é o clipe “Scars To Your Beautiful”, clipe que traz uma variedade mulheres em seus mais diversos corpos e formas. 

Anitta:

Das favelas do Rio de Janeiro ao sucesso mundial, Anitta é um verdadeiro tesouro brasileiro. A artista começou sua carreira no funk, migrando para o pop em seguida. Foi com o “Show das Poderosas” que a cantora estourou e, de lá para cá, tudo Anitta se tornou um fenômeno difícil de ser ignorado. 

Prova disso foi o seu ano de 2017, que fechou com parcerias internacionais e com diversas marcas. Mas a cantora não quer ser a única ascendendo. Já há algum tempo, ela vem trabalhando com dançarinas gordas em suas apresentações, além de trazer ao palco do Prêmio Multishow e no clipe de “Vai Malandra” pessoas diversas e promovendo uma maior aceitação das diferenças na sociedade, além é claro, de fazer com que uma música que nasceu nas favelas conquiste os quatro cantos do planeta.

IZA:

IZA é um nome recente na música nacional, mas ela tem tudo para fazer sua estrela brilhar ainda mais. Prova disso, é que a cantora tem mais de 88 milhões de visualizações no clipe de “Pesadão”, single em parceria com o cantor Marcelo Falcão, e mais de 2 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Para quem cantava em igreja, formou-se em Publicidade e Propaganda, fazer da música seu ganha pão é um feito e tanto.

A carioca contou à Folha de São Paulo que sofreu muito preconceito na escola, quando estudou em colégios particulares do Rio de Janeiro.

“Eu era a única negra na escola ou na sala, era sempre muito diferente de todo mundo”, recordou. Era um E.T. Sempre fui muito popular, vamos deixar isso claro, nunca fui uma criança excluída, mas sempre sofri com preconceito, com racismo”.

Isso tudo contribuiu para que ela, uma mulher negra, tivesse consciência do seu papel enquanto artista. 

“Tenho a chance de ser referência para muitas meninas negras como eu, posso oferecer representatividade e dizer a elas que podem ser quem quiserem”, contou IZA ao jornal Extra. E hoje, depois de cantar com CeeLo Gree, abrir um show do Coldplay para 47 mil pessoas e ter singles com milhões de streamings, o recado da cantora só ganha ainda mais força.

Kesha:

Kesha se tornou, em tempos recentes, uma espécie de símbolo contra o abuso de poder contra as mulheres. Isso porque ela moveu um processo contra o produtor Dr. Luke, com o qual ela trabalhou em seus dois primeiros discos, acusando-o de abusos físicos, sexuais e emocionais.

Por conta da ação judicial, Kesha se viu impedida de lançar novas músicas, a menos que elas estivessem atreladas ao produtor. Toda essa situação desgastante a fez desenvolver distúrbios alimentares e transtornos mentais.

Ela recebeu apoio de várias partes, inclusive de Taylor Swift, que doou US$ 250 mil para que ela pudesse arcar com os custos do processo. Em 2017, mesmo não vencendo na justiça, a cantora liberou seu primeiro álbum em 5 anos: “Rainbow”, que trouxe músicas mais pessoais e que tocam em questões vivenciadas por ela (e Kesha merecia aquele Grammy).

Candy Mel:

Candy Mel integra a Banda Uó, ao lado de Davi Sabbag e Mateus Carrilho. O trio é bem representativo, justamente por trazer dois homens gays e uma transexual. Os três começaram a fazer sucesso após um cover de “Whip My Hair”, da cantora Willow Smith, e de lá para cá, foram dois álbuns de estúdio, singles e shows em diversos cantos do país.

E a figura de Candy Mel é ainda mais emblemática, justamente porque o cenário musical brasileiro carece de artistas trans. Mas não só isso, a imagem da cantora é importante por conseguir manter uma carreira em um país que é campeão na morte de travestis e transexuais, cuja população tem uma expectativa de vida que não passa dos 35 anos, e que encontra emprego, majoritariamente, na prostituição.

Em 2015, ela foi a primeira trans a protagonizar uma campanha contra o câncer de mama, e apenas a segunda do Brasil em um comercial de uma marca de beleza. Além da música, Candy Mel também trabalha com televisão, sendo uma das apresentadoras do “Estação Plural”, da TV Brasil.

Madonna:

Prestes a completar 60 anos, Madonna é uma inspiração desde quando surgiu, em 1983 até hoje, desafiando normas sociais de gênero e sexualidade, além de prestar apoio à comunidade LGBT e à luta contra a AIDS.

A rainha do pop possui uma das mais longevas carreiras na música, sendo uma das maiores artistas femininas. Dona de hits icônicos, como “Like a Virgin”, “Music”, “Material Girl” e “Vogue”, Madge sempre confrontou os ideais de como uma mulher deveria ser e se comportar, e isso era traduzido em seus trabalhos, os quais marcaram época e são reconhecidos até hoje pela sua relevância.

E se você acha que Madonna ficaria ‘mais comportada’ com a idade, ela quer que você saiba que não. Em uma indústria que não aceita que mulheres envelheçam, a cantora continua batendo de frente com as expectativas sociais, dessa vez, sobre mulheres mais velhas.

“Não há regras, caso você seja um homem. Há regras se você for uma mulher”, disse a artista em um evento da revista Billboard. “Se você for uma mulher, você precisa jogar o jogo. É permitido que você seja bonita, meiga e sexy. Mas não pode ser muito esperta. Não tenha uma opinião que está fora do status quo. Você pode ser objetificada pelos homens e se vestir como uma vadia, mas não pode assumir sua ‘vadiagem’. E não, eu repito não, compartilhe suas próprias fantasias sexuais com o mundo. Seja o que os homens querem que você seja, mas mais importante, seja o que as mulheres se sintam confortáveis com você sendo ao redor de outros homens. E, finalmente, não envelheça. Porque a idade é um pecado. Você será criticada e vilipendiada e definitivamente não vai tocar na rádio.”

Na semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva – Ação Nerd Feminista – para discutir temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Nebulla, Delirium NerdMomentum SagaNó de OitoPreta, Nerd & Burning HellValkiriasSéries por Elas.

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